Autonomia de veículos elétricos no inverno com frio: testes ADAC | Notícias automotivas | automotive24.center

Autonomia de veículos elétricos no inverno: o que acontece em temperaturas abaixo de zero

O inverno continua sendo um dos períodos mais desafiadores para a utilização de veículos elétricos

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Em temperaturas negativas, suas capacidades reais diferem significativamente dos dados oficiais. Este material resume os resultados dos testes realizados pelo clube automotivo alemão ADAC e demonstra o quanto a autonomia pode ser reduzida mesmo em um frio moderado de cerca de −7 °C.

Por que o frio afeta tanto os veículos elétricos

A queda de temperatura impacta diretamente o funcionamento da bateria de tração. Os processos químicos dentro do acumulador desaceleram, a resistência interna aumenta e parte da energia é consumida adicionalmente para aquecer o habitáculo e manter a temperatura operacional da própria bateria. Como resultado, o consumo de eletricidade aumenta e a autonomia real por carga diminui.

Mesmo em testes laboratoriais, nos quais neve, vento e terrenos complexos são excluídos, observa-se uma queda significativa na eficiência. Em condições reais, o efeito costuma ser ainda mais acentuado.

Metodologia dos testes ADAC

O clube automotivo alemão ADAC realiza regularmente testes comparativos de veículos elétricos em câmara climática. A temperatura nesses testes é ajustada para −7 °C, nível que não pode ser considerado frio extremo. Os veículos percorrem um ciclo de condução padrão com o aquecimento do habitáculo ativado, e os resultados são comparados aos obtidos em torno de +23 °C.

Os dados obtidos permitem avaliar o impacto do frio sem ajustes por estilo de condução ou condições de estrada, fornecendo uma visão clara da magnitude do problema.

Exemplos mais ilustrativos

Os resultados de alguns modelos são particularmente reveladores. No crossover Volkswagen ID.5, o consumo de energia no frio mais que dobrou, e a autonomia caiu para cerca de 250 quilômetros. O Tesla Model 3, em condições semelhantes, aumentou o consumo elétrico em quase 70%, reduzindo a autonomia para aproximadamente 240 quilômetros.

Os elétricos urbanos compactos sofrem ainda mais. O Peugeot e-208 e o Fiat 500 Electric não conseguiram ultrapassar a marca de 200 quilômetros no teste de inverno. O chinês Leapmotor T03, com suas dimensões e potência modestas, registrou menos de 150 quilômetros. Já o Dacia Spring, equipado com bateria de 24 kWh, fica praticamente limitado a cerca de 100 quilômetros de autonomia no frio.

Panorama geral do mercado

Mesmo os veículos elétricos maiores e mais caros não escapam dessa realidade. De acordo com os dados do ADAC, uma redução de 40 a 50% na autonomia em condições laboratoriais é típica. Assim, o Skoda Enyaq RS perde cerca de 44%, o Renault Scénic E-Tech aproximadamente 47%, enquanto o Mercedes EQS, considerado um dos mais eficientes, cede cerca de 27%.

Com temperaturas caindo para −15 °C, uso intenso do aquecimento e condução em altas velocidades, a diferença entre a autonomia declarada e a real pode se aproximar do dobro.

Conclusão

Os testes do ADAC mostram que a operação no inverno segue sendo um ponto fraco dos veículos elétricos. Já em frio moderado, a autonomia real diminui significativamente e, em modelos com baterias pequenas, torna-se criticamente limitada. Essas características devem ser consideradas na escolha de um veículo elétrico e no planejamento de viagens em épocas frias.