Nissan Leaf I (2010-2017) – Guia técnico completo: motores, bateria, autonomia e dimensões

O Nissan Leaf de primeira geração abriu as portas para a mobilidade elétrica acessível – descubra todos os detalhes técnicos que explicam seu sucesso duradouro

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A primeira geração do Nissan Leaf (2010-2017), conhecida pelos códigos ZE0 e AZE0 (após o facelift de 2013), foi projetada com foco em eficiência, zero emissão e simplicidade mecânica. Neste guia detalhamos a evolução dos motores, dimensões, peso e experiência real de uso nas condições brasileiras. Essas informações técnicas são fundamentais para quem procura um Leaf usado no mercado brasileiro e quer fazer uma escolha consciente. Design externo, interior, versões de equipamentos e pontos fracos são abordados em outras matérias da série.

Motores e transmissão

Diferente dos carros a combustão, o Nissan Leaf I traz um motor elétrico síncrono de corrente alternada que entrega torque instantâneo e aceleração extremamente suave. Todas as versões usam um dos dois motores: o EM61 original (até 2012) e a versão aprimorada EM57 (a partir de 2013). A potência se mantém em 80 kW (109 cv), enquanto o torque varia entre 254 e 280 Nm dependendo do ano. A transmissão é um redutor de uma única marcha que envia força às rodas dianteiras (tração dianteira). Sem caixa de câmbio convencional, o conjunto é mais simples e eficiente.

A bateria é o coração do veículo: os modelos iniciais vinham com pack de 24 kWh (≈22 kWh úteis), e a partir de 2016 passou a ser oferecida a versão de 30 kWh com células de maior densidade energética. Isso elevou a autonomia estimada de cerca de 160-175 km para 200-250 km (ciclo NEDC). O consumo real fica entre 15-20 kWh/100 km em uso misto. No Brasil, com muito calor na maior parte do país, a autonomia cai bastante no verão; em regiões mais amenas ou no inverno o desempenho melhora.

Ano Tipo de motor Potência Torque Transmissão Tração
2010–2012 Motor EM61 síncrono AC 80 kW (109 cv) 254–280 Nm Redutor de uma marcha Dianteira (FWD)
2013–2015 Motor EM57 síncrono AC 80 kW (109 cv) 280 Nm Redutor de uma marcha Dianteira (FWD)
2016–2017 Motor EM57 síncrono AC 80 kW (109 cv) 280 Nm Redutor de uma marcha Dianteira (FWD)

A tabela resume os principais componentes de toda a geração. Tração dianteira constante e ausência de trocas de marcha tornam o Leaf muito simples de manter, embora não seja indicado para uso off-road.

Dimensões e peso

As dimensões do Nissan Leaf I o transformam em um hatch compacto ideal para o dia a dia nas cidades brasileiras. A bateria sob o assoalho deixa o centro de gravidade bem baixo e melhora a estabilidade. As medidas permaneceram praticamente iguais em toda a geração: comprimento 4445 mm, largura 1770 mm (sem retrovisores), altura 1550 mm, entre-eixos 2700 mm. A altura livre do solo de 160 mm é adequada para ruas urbanas e vias com irregularidades leves, mas exige cuidado com buracos profundos.

O peso varia conforme a bateria: em ordem de marcha de 1521 kg (24 kWh) a 1582 kg (30 kWh), e peso bruto até 1945 kg. Isso resulta em aceleração de 0 a 100 km/h em 10-11,5 segundos e velocidade máxima de 144 km/h.

Versão Comprimento / Largura / Altura, mm Entre-eixos, mm Peso em ordem de marcha, kg Peso bruto, kg Transmissão / Tração
2010–2015 (24 kWh) 4445 / 1770 / 1550 2700 1521–1540 1945 Redutor / FWD
2016–2017 (30 kWh) 4445 / 1770 / 1550 2700 1540–1582 1945 Redutor / FWD

Evolução ao longo dos anos

Dentro da mesma geração houve atualizações importantes, principalmente em 2013 (facelift AZE0) e 2016 (bateria 30 kWh). Os modelos 2010-2012 vinham com bateria de 24 kWh e refrigeração passiva por ar, o que acelerava a degradação em climas muito quentes. O facelift de 2013 trouxe motor EM57 mais eficiente, bomba de calor (economia de até 30% de energia no ar-condicionado), e melhorias aerodinâmicas (Cx 0,28). Essas mudanças tornaram os exemplares pós-2013 bem mais desejados no mercado por oferecerem autonomia real superior.

Em 2016 chegou a bateria de 30 kWh com química aprimorada (maior densidade), elevando a autonomia estimada para cerca de 250 km NEDC. A estrutura básica se manteve, mas o sistema de regeneração foi refinado. No mercado de usados brasileiro, os modelos iniciais costumam apresentar saúde de bateria (SOH) abaixo de 70-75%, enquanto os pós-2013 bem cuidados geralmente mantêm 80-90%.

O que você precisa saber antes de comprar

O uso do Nissan Leaf I no Brasil é muito influenciado pelo clima quente, infraestrutura de recarga e estado do mercado de usados. O motor elétrico é extremamente confiável: muitos exemplares ultrapassam 300 mil km sem grandes reparos. As versões mais procuradas são as de 30 kWh, que entregam 130-180 km reais mesmo em condições difíceis. Consumo típico: 15-18 kWh/100 km em clima ameno, podendo chegar a 20-25 kWh/100 km com ar-condicionado forte em dias muito quentes.

Problemas mais comuns: degradação da bateria (refrigeração passiva sofre mais no calor intenso); bateria auxiliar de 12V (trocar a cada 3-4 anos); eventuais falhas na porta CHAdeMO ou inversor. Peças de reposição têm boa disponibilidade: packs e motores usados são comuns em desmanches, e há opção de upgrade para 40 kWh. A manutenção é bem barata. Sempre cheque o SOH com ferramentas como Leaf Spy (abaixo de 75% é melhor evitar). A bomba de calor é muito recomendada em regiões de inverno mais fresco.

Faixa de preço aproximada no mercado brasileiro (2025-2026, usados): R$ 75.000 – R$ 115.000 para modelos 24 kWh e R$ 100.000 – R$ 150.000 para versões 30 kWh em bom estado, dependendo da quilometragem, condição geral e saúde da bateria.

Conclusão

As especificações técnicas do Nissan Leaf I o tornam uma ótima opção para uso urbano. A melhor combinação atualmente no mercado brasileiro é um exemplar 2016-2017 com motor de 80 kW, bateria 30 kWh, redutor de uma marcha e tração dianteira. Oferece equilíbrio perfeito entre preço acessível, custo por km muito baixo (cerca de R$ 0,40–0,70/km em recarga residencial), manutenção econômica e boa procura no segmento de elétricos usados. As versões mais antigas saem mais baratas, mas trazem maior risco de degradação. Ideal para famílias, deslocamentos diários na cidade ou como carro secundário: confiável, prático e sem gastos com combustível.