
Como todo veículo usado, porém, o Hyundai Santa Fe III revela alguns pontos fracos ao longo do uso e dos quilômetros rodados. Neste guia abordamos os problemas mais comuns do Hyundai Santa Fe 2012–2018, suas características técnicas e os pontos críticos que merecem atenção na hora de escolher um exemplar seminovo. As informações são baseadas em relatos de proprietários, experiências de oficinas e realidade do mercado brasileiro.
Para conferir um panorama completo da geração, especificações técnicas e acabamento interno, veja os demais conteúdos da série.
Principais pontos negativos e características da geração
Os donos do Santa Fe DM destacam algumas características que impactam o dia a dia. O consumo nas versões a gasolina 2.4 L (G4KE ou G4KJ) geralmente fica entre 7–9 km/l na cidade, um pouco acima de alguns concorrentes equivalentes, principalmente quando a tração integral é usada com frequência. As versões diesel 2.2 CRDi (D4HB), embora bem menos comuns no Brasil, conseguem melhor eficiência — cerca de 10–12 km/l no ciclo misto —, mas exigem combustível de boa qualidade para evitar entupimento do filtro de partículas (DPF) e problemas no sistema EGR.
Os sistemas multimídia dos modelos pré-facelift (até 2015) vêm com telas de 5–7 polegadas e navegação básica que envelhece rápido e demanda atualizações. Há relatos pontuais de falhas no Bluetooth e travamentos na navegação, mas nada generalizado. Após o facelift, Apple CarPlay e Android Auto foram incorporados nas versões topo de linha, porém a compatibilidade com smartphones mais recentes nem sempre é 100%.
O isolamento acústico da cabine é mediano para o segmento: na estrada, o ruído de rolamento dos pneus e do vento fica perceptível acima de 110–120 km/h. Muitos proprietários resolvem isso com aplicação de manta acústica adicional. Os plásticos do painel são razoavelmente macios, mas suscetíveis a riscos, e o couro das versões mais equipadas pode apresentar trincas com o tempo, sobretudo em regiões de muito calor ou variações térmicas.
A manutenção pode exigir scanner e ferramentas específicas para a eletrônica e o sistema HTRAC. Os preços de peças são acessíveis: originais estão disponíveis, e paralelas de boa qualidade ajudam a economizar. Itens mais caros, como o turbo do diesel (cerca de R$ 8.000–R$ 14.000) ou o corpo de válvulas do câmbio automático, representam gastos elevados em caso de falha.
Versões e anos — onde prestar mais atenção
Os primeiros anos (2012–2014) acumulam mais relatos de problemas. O motor gasolina 2.4 L (G4KE) teve casos isolados de ranhuras nos cilindros e giro de bronzinas, embora não seja algo epidêmico. O diesel 2.2 CRDi de 197 cv podia apresentar falhas no turbo e no EGR quando a manutenção era negligenciada. A tração integral ocasionalmente mostrava defeitos na embreagem, deixando o eixo traseiro inativo.
Os modelos pós-facelift (2015–2018) receberam melhorias relevantes: bomba de óleo revisada no gasolina, diesel elevado para 200 cv com maior durabilidade, suspensão recalibrada para reduzir ruídos e eletrônica mais estável (menos reclamações sobre sensores, como o de posição do virabrequim). Nas avaliações de donos, as versões facelift são vistas como mais confiáveis para uso prolongado.
As versões V6 3.3 L a gasolina (Lambda II), muitas vezes importadas dos EUA, apresentam consumo mais elevado e acúmulo de carbono que pede limpeza a cada 50–80 mil km. No Brasil, a configuração 2.4 gasolina segue sendo a mais comum e prática pela facilidade de abastecimento e disponibilidade de peças.

Mercado de seminovos no Brasil
No mercado brasileiro de usados, a maioria dos Hyundai Santa Fe DM 2012–2018 roda entre 120.000 e 250.000 km, muitos vindos de proprietários particulares, locadoras ou importação. A corrosão aparece com frequência em caixas de roda, soleiras e assoalho em regiões litorâneas ou com muita umidade/chuva — sempre verifique cavidades ocultas e proteção anticorrosiva anterior.
O histórico de revisões é essencial: falta de documentos pode indicar adulteração de hodômetro, prática ainda existente no mercado. Confirme a originalidade das peças pelo chassi (VIN) — substituições por não-originais afetam principalmente a parte elétrica. Quilometragem real e condição geral são melhor avaliadas com inspeção cautelosa que inclua freios, suspensão, compressão do motor e comportamento do câmbio.
Muitos exemplares vêm com especificação americana ou de procedência particular, com predominância de motores a gasolina. Preços aproximados para unidades 2015–2018 em bom estado variam entre R$ 85.000 e R$ 145.000 (valores de referência 2026), dependendo de quilometragem, versão e conservação. As configurações 4x4 Premium ou Limited são as mais valorizadas.
O que dá para corrigir e orçamento para deixar em bom estado
A maioria dos defeitos do Santa Fe III pode ser resolvida. Aplicar manta acústica extra nas portas e no assoalho reduz bastante o ruído de rolamento. Atualizar o sistema multimídia trocando a central por uma compatível com protocolos atuais é uma melhoria comum e relativamente barata.
Peças internas desgastadas (volante, bancos) podem ser restauradas em oficinas de estofamento. Reparos de suspensão, como rolamentos de roda (comuns entre 80.000–130.000 km) ou amortecedores, são serviços rotineiros. Prevenção de corrosão envolve aplicação de proteção adicional, especialmente em carros importados. A manutenção programada inclui troca de óleo do câmbio a cada 60.000 km e limpeza do EGR nos diesel.
Na compra, é prudente reservar 10–20% a mais do valor do veículo para reparos imediatos. Conte com R$ 4.000–R$ 12.000 para vistoria e consertos leves; intervenções maiores (turbo, revisão completa de câmbio) podem chegar a R$ 20.000–R$ 45.000 nos casos mais graves. As versões facelift costumam demandar menos investimento inicial.
Conclusão e recomendações
Em 2026 o Hyundai Santa Fe DM 2012–2018 segue sendo uma escolha racional no segmento de SUVs médios usados, desde que você selecione um exemplar com procedência comprovada e faça uma vistoria minuciosa. É uma ótima opção para famílias brasileiras que buscam espaço interno amplo, tração integral disponível e conforto em viagens longas.
Os anos 2012–2014 pedem cuidado extra com motor e transmissão, enquanto os 2015–2018 apresentam equilíbrio superior de confiabilidade. A configuração mais recomendada no Brasil é o 2.4 gasolina com tração integral e câmbio automático pela facilidade de manutenção e abastecimento. Na vistoria, confira o funcionamento do acoplamento HTRAC, trocas suaves do câmbio, ausência de corrosão no assoalho, sensores do motor e parte elétrica. Um test-drive completo em estrada e cidade, aliado a diagnóstico com scanner em oficina especializada, revela eventuais problemas escondidos.