Ford e Geely discutem parceria na Europa | Notícias automotivas globais automotive24.center

Ford considera colaboração com Geely como resposta ao fortalecimento dos fabricantes chineses

A empresa americana Ford estuda a possibilidade de parceria com o grupo automotivo chinês Geely

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As negociações abrangem o uso das capacidades produtivas da Ford na Europa e um possível intercâmbio de tecnologias. Essa abordagem reflete um esforço para se adaptar às mudanças no mercado automotivo global e ao fortalecimento das marcas chinesas.

Motivos para buscar um parceiro

A direção da Ford admite abertamente que a empresa está atrasada em relação aos fabricantes chineses no campo dos veículos elétricos, software e sistemas de assistência ao motorista. Os concorrentes chineses implementam soluções digitais mais rapidamente e escalam a produção de modelos elétricos com maior eficiência. Nesse contexto, a Ford vê cada vez mais a colaboração como uma forma de acelerar seu próprio desenvolvimento.

De acordo com fontes do setor, as conversas entre Ford e Geely avançam em várias frentes simultaneamente. O diálogo sobre cooperação produtiva progrediu de forma mais significativa do que as discussões sobre o uso conjunto de tecnologias.

Fábricas europeias e política tarifária

Um dos fatores centrais tem sido a política comercial da União Europeia. A imposição de tarifas adicionais sobre veículos elétricos de origem chinesa complicou significativamente sua exportação direta para a Europa. Por outro lado, os automóveis fabricados dentro da UE ficam isentos dessas restrições.

Nesse cenário, a Geely demonstra interesse pela fábrica da Ford em Valência, na Espanha. A instalação tem capacidade para produzir até 450.000 veículos por ano, mas opera atualmente com carga parcial. Nela é fabricado apenas o modelo Kuga, cujas vendas anuais giram em torno de 130.000 unidades. O restante da capacidade poderia ser utilizado para a produção de veículos Geely.

Benefícios potenciais para as partes

Para a Geely, a localização da produção na Europa permite acessar o mercado da UE sem tarifas adicionais e aumenta a flexibilidade logística. O grupo já possui experiência com estratégias semelhantes, utilizando instalações de parceiros em outras regiões do mundo.

Para a Ford, o principal valor da colaboração pode residir no intercâmbio tecnológico. As marcas chinesas avançaram consideravelmente nos últimos anos em serviços conectados, sistemas de propulsão elétrica e tecnologias de condução automatizada. Essas soluções podem ajudar a Ford a acelerar a renovação de sua linha de modelos.

Mercado americano e restrições

O mercado dos Estados Unidos permanece uma questão à parte. Veículos elétricos produzidos na Europa enfrentam nos EUA uma tarifa de cerca de 15%, enquanto os provenientes da China superam 100%. Isso torna a produção europeia uma opção potencialmente vantajosa também para exportações através do Atlântico.

No entanto, existem barreiras regulatórias. Os Estados Unidos impõem restrições ao uso de tecnologias de veículos conectados ligadas a desenvolvimentos chineses ou russos. Mesmo com montagem local, tais sistemas podem ser proibidos, o que complica a transferência tecnológica direta.

Conclusão

As negociações entre Ford e Geely refletem um processo mais amplo de reestruturação da indústria automotiva mundial. O aproveitamento de fábricas europeias e uma cooperação seletiva podem proporcionar vantagens táticas a ambas as partes. O avanço futuro dessa iniciativa dependerá das condições regulatórias e do grau de disposição das empresas para uma integração mais profunda.