
Esse modelo ainda tem ótima procura no mercado de seminovos no Brasil graças à plataforma confiável PQ35 (a mesma do Golf V/VI), boa capacidade off-road com tração integral 4Motion e interior razoavelmente espaçoso. Porém, como se trata de veículos com 9-18 anos de idade, o Volkswagen Tiguan I tem defeitos bem perceptíveis. Nesta matéria, vamos analisar os problemas típicos Volkswagen Tiguan 2007-2016, o que checar com atenção ao comprar um Volkswagen Tiguan usado no Brasil e quanto dinheiro reservar para deixar o carro em bom estado.
Para o review completo da geração, especificações técnicas e detalhes do interior, confira os outros conteúdos da nossa série.
Principais pontos fracos da geração
Donos e oficinas destacam essas falhas mais recorrentes:
- Consumo alto de combustível — especialmente o 2.0 TSI (170-200 cv) faz fácil 6-8 km/l na cidade; o 1.4 TSI biturbo (CAWA/CAWB) costuma rodar 8-10 km/l.
- Isolamento acústico fraco — caixas de roda, portas e assoalho quase sem isolamento; depois de 100 mil km surgem barulhos de plásticos e ronco de pneus.
- Corrosão — soleiras, caixas de roda, parte inferior das portas, tampa do porta-malas (principalmente em volta da moldura cromada) e moldura do para-brisa. Em regiões litorâneas ou com muita umidade, os pontos de ferrugem aparecem a partir dos 8-10 anos.
- Multimídia ultrapassada — as centrais RCD-310/510 e RNS-510 falham com frequência, a navegação está desatualizada e o Bluetooth costuma falhar.
- Peças originais caras — sobretudo itens de suspensão (braços completos ~R$ 3.500-4.500 originais), acoplamento Haldex de 4ª geração e bomba de alta pressão no 2.0 TSI.
- Problemas na corrente de distribuição nos 2.0 TSI antigos (antes de 2011) — alongamento e salto da corrente podem destruir o motor.
- Câmbio DSG-6 DQ250 — o robô de 6 marchas "molhado" até 2013-2014 aquece muito no trânsito e exige troca de óleo a cada 60 mil km.
Versões e anos: o que olhar com mais cuidado
- 2007-2011 (pré-facelift) — os anos mais problemáticos. Motores 2.0 TSI (CBAB, CCZC, CCZD) com corrente frágil e pistões que consomem óleo. Primeiras revisões da DSG-6. Isolamento acústico pior e plásticos internos mais simples.
- 2011-2016 (facelift) — melhora significativa: pistões atualizados no 2.0 TSI (CCZB), corrente mais resistente, chegada do 1.4 TSI EA211 (CZDA/CZEA) mais confiável no lugar do problemático EA111 biturbo. A partir de 2014, versões mais potentes ganharam a DSG-7 DQ500 bem mais robusta.
- Diésel 2.0 TDI — bem raros no Brasil, mas se achar um: cheque o filtro de partículas (DPF) e válvula EGR. Depois de 200 mil km, injetores e bomba de alta pressão costumam precisar de troca.
Recomendação: as opções mais tranquilas são as unidades pós-facelift 2014-2016 com motor 1.4 TSI 150 cv (CZEA) + câmbio manual 6 marchas ou 2.0 TSI 180-211 cv (CCZC/CCZB revisões tardias) + DSG-6 com manutenção de óleo e embreagem em dia.
Mercado de seminovos no Brasil: riscos específicos
No Brasil a maioria dos Tiguan I é importada da Europa ou EUA. Fique atento a:
- Corrosão — mesmo as unidades europeias desenvolvem ferrugem nas caixas de roda e soleiras após 10-12 anos, especialmente em áreas úmidas ou litorâneas.
- Quilometragem adulterada — muitos Tiguan anunciados mostram 180-220 mil km, mas na real costumam ter 300-400 mil km ou mais.
- Batidos e reparados mal — abundam veículos com acidentes graves consertados de forma improvisada.
- Histórico de manutenção — ideal ter notas fiscais de concessionária europeia ou americana até 2018-2020.
- Documentação e importação — confirme que foi importado legalmente com processo completo, não de forma irregular.
- Equipamentos — às vezes vendem versões básicas Trend&Fun como as top Sport&Style só trocando volante e rádio.

Orçamento para manutenção e correção de falhas típicas
Para colocar um Tiguan médio 2012-2015 em bom estado, geralmente é preciso:
- Tratamento anticorrosivo completo + reparo de ferrugens — R$ 4.000-8.000
- Isolamento acústico adicional (4 portas + caixas de roda + assoalho) — R$ 3.000-6.000
- Troca do kit de corrente de distribuição + tensor + engrenagens (se não feito antes) — R$ 4.000-7.000
- Serviço na DSG-6 (óleo + filtro + embreagem se necessário) — R$ 2.000-6.000
- Troca completa dos braços de suspensão (original ou Lemförder) — R$ 5.000-8.000
- Atualização multimídia (tela Android 9-10″ + câmera de ré) — R$ 2.000-4.000
- Reparo ou troca do Haldex + fluido — R$ 2.000-5.000
Total estimado: para deixar um Tiguan 2012-2015 decente em ótimas condições, reserve R$ 20.000-40.000 além do valor de compra.
Um bom exemplar 2014-2016 com km verificada abaixo de 200 mil km e manutenção em dia costuma ser encontrado na faixa de R$ 60.000-90.000 — nesse caso os gastos extras ficam bem menores (R$ 5.000-15.000).
Conclusão e recomendações
Vale a pena comprar Volkswagen Tiguan I em 2025-2026?
Sim, vale — se:
- você pegar um pós-facelift 2014-2016,
- preferir o 1.4 TSI 150-160 cv (CZEA) com manual ou 2.0 TSI após 2013,
- estiver disposto a medir a pintura com paquímetro, inspecionar o motor com endoscópio e fazer diagnóstico completo da DSG/Haldex.
Melhor evitar ou checar com extremo cuidado:
- unidades pré-facelift 2007-2010,
- 2.0 TSI com alto consumo de óleo e corrente antiga,
- carros com km "abaixo de 180 mil km" por preço suspeitamente baixo,
- veículos sem histórico de manutenção claro e com reparos caseiros evidentes.
Com uma boa escolha e investimento inicial de R$ 10.000-30.000, o Volkswagen Tiguan primeira geração continua sendo um dos SUVs compactos mais versáteis, agradáveis de dirigir e com ótima relação custo-benefício no mercado brasileiro de seminovos.