
O Audi Q5 2017-2023 reúne tanto defeitos típicos da marca quanto alguns problemas específicos do modelo. Na hora de comprar um Q5 seminovo no mercado brasileiro, é fundamental considerar as condições reais de uso por aqui (calor intenso, estradas irregulares, combustível de qualidade variável). Para review completo de geração, ficha técnica e interior, confira nossos outros conteúdos. Aqui vamos direto ao ponto: os maiores defeitos, problemas por ano, realidade do mercado brasileiro, custos de reparo e dicas práticas para comprar com segurança.
Principais defeitos da geração
O Audi Q5 II (2017-2023) é um SUV confiável no geral, mas vários problemas comuns aparecem após 60.000-90.000 km. Muitos proprietários reclamam do consumo elevado de combustível, principalmente no trânsito urbano – o 2.0 TFSI pode facilmente fazer 7-9 km/l na cidade, acima da média da categoria. Motivo principal: motor turbo + tração integral quattro.
Outra reclamação constante é o sistema multimídia MMI nas versões pré-facelift: tela que trava, perde conexão com celular e navegação desatualizada sem updates. Nas versões facelift (a partir de 2021) melhorou com o MIB 3, mas ainda fica atrás dos padrões atuais de 2026.
A corrosão não é o ponto forte. Apesar do carroceria galvanizada, em regiões com chuva forte, litoral ou uso de sal em algumas estradas, ferrugem aparece em caixas de roda, soleiras e componentes da suspensão. O isolamento acústico perde para rivais como BMW X3 e Mercedes GLC: barulho de vento e rolamento dos pneus fica perceptível acima de 100 km/h, pior ainda com pneus de inverno.
A manutenção é cara e trabalhosa: peças originais têm preço premium e muitos paralelos não encaixam perfeitamente. Troca da corrente de distribuição no 2.0 TFSI, por exemplo, costuma sair entre R$ 8.000 e R$ 14.000. Outras queixas frequentes: consumo moderado de óleo (até 1 litro a cada 1.500-2.000 km), falha no wastegate do turbo, vazamentos na flange da bomba de combustível, problemas no start-stop e no teto solar panorâmico (travamento ou infiltração). A parte elétrica também dá dor de cabeça: falhas no Virtual Cockpit, ar-condicionado irregular e problemas de bateria/ alternador.
Suspensão e freios pedem atenção constante: amortecedores desgastam rápido em ruas esburacadas, discos e pastilhas consomem depressa por causa do peso. No fim das contas, o Q5 II não é o mais econômico de manter na categoria, mas com cuidado certo dura muitos anos.
Versões e anos: onde prestar mais atenção
As falhas do Audi Q5 2017-2023 mudam bastante conforme o ano. As primeiras unidades (2017-2018) são as mais problemáticas: motores 2.0 TFSI com alto consumo de óleo e alongamento da corrente de distribuição, gerando reparos caros (frequentemente acima de R$ 15.000). O turbo sofre com wastegate fraco e eletrônica/start-stop menos confiáveis.
Antes do facelift (2017-2020) o isolamento acústico é pior, multimídia com tela retrátil parece antiga e motor/câmbio (S tronic) exigem manutenção rigorosa. Em 2019-2020 houve melhorias parciais no consumo de óleo e corrente, mas ainda aparecem casos.
O facelift 2021-2023 trouxe avanços reais: MIB 3 com tela touch maior, melhor isolamento, assistentes atualizados e motores mais robustos. Ainda assim, fique de olho em infiltrações no teto panorâmico e nos botões touch do ar-condicionado. As versões híbridas plug-in (Q5 TFSI e) têm desafios próprios: degradação da bateria e infraestrutura de recarga limitada em muitas cidades.
Os motores diesel (2.0 TDI) costumam ser mais confiáveis que os a gasolina, mas são raros no Brasil. Fuja das unidades 2017-2018 com alta quilometragem e sem histórico completo de corrente e turbo.
| Ano | Problemas típicos |
|---|---|
| 2017-2018 | Consumo de óleo, corrente de distribuição, turbo, falhas eletrônicas |
| 2019-2020 | Melhorias parciais, mas consumo de óleo e isolamento fraco persistem |
| 2021-2023 | Multimídia melhor, mas atenção ao teto e detalhes elétricos |

Mercado de seminovos no Brasil
No Brasil há muitas unidades Audi Q5 seminovas, a maioria importada dos EUA, Europa ou Japão. Em regiões litorâneas ou com muita chuva, examine bem ferrugem em caixas de roda, assoalho e soleiras. Buracos e asfalto irregular aceleram o desgaste da suspensão (amortecedores, bandejas).
Histórico de revisões é fundamental: muita unidade sem manutenção completa ou com hodômetro adulterado – sempre cheque por serviços como Dekra, Carfax ou similares. Peças originais são caras, por isso muitos usam paralelas, o que pode reduzir a durabilidade. Revisão recomendada a cada 10.000-15.000 km, mas muita gente pula e acaba com problemas no motor.
Verifique histórico de sinistros: várias unidades vêm com salvage ou flood dos EUA – confira marcas de reparo. Preços aproximados no mercado brasileiro: de R$ 140.000 a R$ 180.000 por 2017 com alta km, até R$ 280.000-380.000 por facelift 2021-2023 bem conservado. Acima de 100.000 km, prepare-se para investimentos.
Orçamento de manutenção e reparos
A maioria dos problemas do Audi Q5 2017-2023 tem solução. Consumo alto de óleo muitas vezes é resolvido com troca de anéis de pistão (R$ 12.000-25.000). Corrente de distribuição com mão de obra fica entre R$ 8.000-14.000. Reforço de isolamento acústico R$ 5.000-12.000. Atualização ou troca multimídia aftermarket R$ 4.000-10.000.
Tratamento anticorrosivo R$ 3.000-8.000, conserto de vazamento de combustível R$ 3.000-7.000. Revisões básicas (óleo, filtros) R$ 2.000-4.500. Troca de amortecedores R$ 10.000-20.000 o jogo.
Orçamento realista para um bom exemplar: R$ 180.000-240.000 por um 2019-2020 com ~100.000 km, mais R$ 15.000-40.000 em ajustes iniciais. Facelift parte de R$ 280.000-380.000 + R$ 10.000-25.000 de manutenção. Custo anual médio de manutenção: R$ 8.000-20.000.
Conclusão e dicas de compra
O Audi Q5 II continua sendo uma ótima opção em 2026 se você escolher versões facelift 2021-2023 com motor gasolina aprimorado (ou diesel raro), abaixo de 100.000 km e histórico completo. É confortável, mantém valor de revenda e recompensa quem cuida bem. Evite unidades iniciais 2017-2018 com alta quilometragem e sem reparos documentados (corrente, consumo de óleo) – podem sair muito caras.
Na vistoria, priorize: test-drive longo (ruídos, vibrações), laudo de histórico, estado da carroceria, funcionamento da eletrônica e suspensão. Leve em oficina especializada Audi ou mecânico de confiança. Se o orçamento permitir, prefira pacotes S line bem equipados – costumam ser mais líquidos na revenda. No final das contas, um Q5 usado é perfeito para quem aceita os custos de um SUV premium, mas com bastante cautela nas primeiras unidades.