
O modelo de 1990 a 2000, conhecido como E36, entrega dinâmica empolgante e estilo atemporal, mas, como a maioria dos carros daquela época, traz vários problemas típicos do envelhecimento. As reclamações mais frequentes incluem corrosão na carroceria, falhas no sistema de arrefecimento e desgaste na suspensão. Neste guia vamos detalhar os principais defeitos, diferenças por ano, a realidade do mercado brasileiro de usados, custos de reparo e dicas para comprar com segurança. Para especificações técnicas completas, desempenho e fotos do interior, confira os outros materiais da série. Esses BMW usados continuam atraentes pelo preço acessível, mas uma inspeção cuidadosa é indispensável.
Principais defeitos da geração
Pontos fracos mais comuns
Donos de E36 usados relatam consistentemente vários problemas recorrentes. O consumo de combustível fica acima do esperado para um sedã esportivo compacto: motores a gasolina (1.8–2.8 L) costumam fazer entre 8–11 km/l no uso misto cidade/estrada — valor que pesa bastante com os preços atuais da gasolina no Brasil. O sistema de som original está bem defasado: toca-fitas cassete, sem tela touch ou navegação; upgrades aftermarket são comuns, mas exigem esforço para instalação correta.
A corrosão é o maior vilão: caixas de roda, soleiras, assoalho e subchassis sofrem ferrugem grave, especialmente em regiões litorâneas ou com alta umidade. O ruído de rodagem e vento fica perceptível acima de 100–120 km/h por causa do isolamento acústico modesto. A manutenção pode ficar cara: a suspensão multilink precisa de ferramentas específicas, oficinas especializadas em BMW cobram valores altos e as peças originais são caras (radiador R$ 1.200–3.000, unidade VANOS R$ 3.000–7.000). Outros defeitos frequentes: superaquecimento do sistema de arrefecimento (radiador, bomba d'água, termostato), queima de óleo nos motores M50/M52 (até 1 litro a cada 1.500–3.000 km), buchas desgastadas, reguladores de vidros falhando, pixels queimados no painel, forro de teto caído e revestimentos das portas descascando. Dirigibilidade agressiva pode até romper ou soltar o subchassi traseiro.
Problemas por ano e versão
O que observar — divisão por anos e modelos
Os carros mais antigos (1990–1994, pré-facelift) apresentam mais pontos fracos. Os de 1990–1992 são particularmente propensos a superaquecimento por radiador pequeno, eletrônica mais simples (sem VANOS) e isolamento acústico inferior. Motores M40 e M50 iniciais sofrem com queima de óleo e alongamento da corrente de distribuição. Câmbio automático de 4 marchas troca de forma brusca e geralmente precisa de revisão completa.
Os modelos pós-facelift (1995–2000) melhoram com o VANOS revisado (melhor desempenho, mas pode fazer barulho ou falhar) e motores M52 mais refinados. O E36 M3 (3.2 L a partir de 1995) é mecanicamente mais robusto, apesar de ter suas peculiaridades. Versões diesel 325tds são raríssimas no Brasil e peças difíceis de encontrar. Tenha muita cautela com os de 1990–1993 — exija inspeção completa de arrefecimento e corrosão. Os de 1998–2000 costumam apresentar menos problemas imediatos.
| Anos | Problemas principais | Recomendação |
|---|---|---|
| 1990–1994 | Superaquecimento, queima de óleo, corrosão forte | Evitar salvo com documentação completa e sem ferrugem |
| 1995–1997 | Barulho no VANOS, falhas elétricas | Verificar histórico de manutenção |
| 1998–2000 | Menos problemas graves, mas desgaste natural | Anos preferidos |
Realidade do mercado brasileiro de usados
Comprando um E36 usado no Brasil
No mercado brasileiro de seminovos os E36 (centenas de anúncios em plataformas como Webmotors e OLX no início de 2026) exigem atenção redobrada à corrosão — especialmente em regiões litorâneas ou úmidas onde a ferrugem avança rápido nas partes baixas e caixas de roda. Buracos e estradas ruins aceleram o desgaste da suspensão multilink complexa. Histórico de manutenção costuma ser irregular; sempre solicite laudo por chassi e prefira carros com revisões documentadas. Muitos vêm com peças paralelas — algumas funcionam bem, outras causam problemas no VANOS ou na parte elétrica. Troca de óleo a cada 8.000–12.000 km; os negligenciados costumam superaquecer.
adulteração de hodômetro não é rara (quilometragem real frequentemente acima de 200.000–300.000 km); compare com sinais de desgaste e comprovantes. Alguns têm modificações não originais ou conversões duvidosas para M3. A grande maioria é a gasolina; versões diesel são praticamente inexistentes no Brasil. Preço de mercado aproximado para o Brasil: R$ 35.000–R$ 90.000 para exemplares em condição média, com os mais bem conservados e baixa km dos anos 1998–2000 na faixa superior.

O que dá para consertar e orçamento realista para deixar em bom estado
Custo para colocar em forma
Muitos defeitos do E36 são reparáveis. Isolamento acústico adicional — R$ 2.000–R$ 6.000. Som moderno com CarPlay/Android Auto — R$ 1.500–R$ 5.000. Manutenção básica (filtros, óleo, fluidos) — R$ 800–R$ 2.500 por revisão. Reparo de corrosão (soleiras, caixas de roda) — R$ 4.000–R$ 15.000 dependendo da gravidade. Revisão completa do arrefecimento (radiador, bomba, termostato) — R$ 2.500–R$ 8.000. Reconstrução do VANOS — R$ 3.000–R$ 7.000. Revisão da suspensão (buchas, braços) — R$ 4.000–R$ 12.000.
Orçamento para um bom exemplar dirigível: R$ 45.000–R$ 80.000 na compra. Reserve R$ 8.000–R$ 20.000 em reparos iniciais (arrefecimento, corrosão, suspensão). Espere R$ 4.000–R$ 10.000 por ano em manutenção contínua. Versões M3 costumam adicionar R$ 10.000–R$ 25.000 extras em peças de desempenho.
Veredito final: vale a pena comprar e quais versões buscar ou evitar?
Recomendações de compra
Os defeitos do E36 são conhecidos e gerenciáveis. Continua sendo uma escolha muito divertida para entusiastas com orçamento a partir de R$ 45.000 que gostam de dirigir e estão dispostos a investir em manutenção. O ponto ideal geralmente é um facelift 1995+ — de preferência 320i ou 328i com tração traseira. Evite os de 1990–1994 a menos que tenham histórico impecável e zero ferrugem. Diesel no mercado brasileiro é melhor passar devido à disponibilidade de peças. Na vistoria: faça um test-drive longo verificando superaquecimento e ruídos estranhos, inspecione a parte inferior em busca de corrosão, cheque folgas na suspensão, teste todos os elétricos e confirme o histórico por chassi. Com os cuidados certos, esses carros podem entregar décadas de prazer — só planeje os gastos adequadamente.