
Assim como qualquer veículo com 7–8 anos de uso, o modelo já acumulou uma série de características e pontos de atenção que vale a pena conhecer antes de fechar a compra. Abaixo estão os problemas e reclamações mais frequentes relatados por proprietários e compradores de Santa Fe usados 2018-2023 no Brasil.
Para ver análise completa da geração, especificações técnicas e detalhes de acabamento, confira os outros conteúdos da série.
Principais defeitos e características da geração
Consumo de combustível. As versões diesel 2.2 CRDi (≈200 cv) na vida real costumam fazer entre 9,5–12,5 km/l no ciclo misto (estrada/cidade/tráfego pesado). Os motores a gasolina 2.5 MPI (180 cv) geralmente ficam na faixa de 7,5–9,5 km/l, caindo para 6,5–8 km/l na cidade com ar-condicionado ligado. As versões híbridas 1.6 T-GDi HEV apresentam os melhores números (13–16 km/l), mas ainda são bem raras no mercado de usados brasileiro.
Isolamento acústico. Os modelos antes do facelift (2018-2020) chegam com isolamento bem mais leve de fábrica: barulho de rolagem dos pneus, arco de roda e vento se tornam bem perceptíveis acima de 110–120 km/h. Após o facelift 2020-2021 houve melhora com adição de materiais extras, mas a cabine ainda não é das mais silenciosas da categoria — principalmente em rodovias com pavimento ruim.
Multimídia e navegação. A central original de 8 polegadas (2018-2020) é muito criticada pela lentidão, interface ultrapassada e funcionamento instável do GPS nativo. A tela de 10,25 polegadas pós-facelift ficou bem mais ágil, mas ainda há relatos pontuais de travamentos, dificuldades em atualizações de mapas e alguns bugs em Android Auto / Apple CarPlay.
Acabamento interno. As peças em black piano (piano black) arranham e pegam marcas de dedo muito rápido. O couro do banco do motorista e as laterais da almofada apresentam desgaste visível entre 130–180 mil km. Plásticos da central e das portas podem começar a ranger com o tempo, especialmente em dias frios ou após lavagem.
Preço das peças. As peças originais (injetores Common Rail, bomba de alta, volante bimassa, atuadores de turbo) têm custo elevado. Felizmente existem ótimas opções de reposição de marcas reconhecidas (Lemförder, CTR, Bosch, Gates etc.) amplamente disponíveis e que reduzem bastante o valor dos reparos.
Anos e versões — no que prestar mais atenção
2018–2019 (pré-facelift). Os carros mais antigos costumam apresentar com mais frequência:
- isolamento acústico mais fraco;
- central multimídia de 8″ lenta;
- motor 2.4 MPI ou 2.2 CRDi mais antigo com sistema de emissões menos moderno;
- câmbio automático das primeiras séries (alguns relatos de trancos em marcha lenta ou frio).
2020 — ano de transição. Algumas unidades já receberam atualizações, outras não.
2021–2023 (facelift). Consideradas as mais refinadas:
- melhor isolamento acústico e de vibrações;
- tela de 10,25″ + painel digital de 12,3″;
- motor 2.2 CRDi Smartstream com sistema de injeção e AdBlue atualizados;
- câmbio automático com bloco hidráulico e software revisados.
As versões híbridas (HEV) 2021–2023 são bem difíceis de encontrar no mercado de usados e exigem atenção especial ao estado da bateria de alta tensão e do sistema de refrigeração.

Mercado de seminovos no Brasil
A maioria dos Santa Fe TM disponíveis hoje veio importada dos Estados Unidos, Coreia ou via procedência de frotas/leasing. Muitas unidades estão concentradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e regiões Sul e Sudeste, onde há maior oferta.
Condição da carroceria. Arcos de roda, soleiras, parte inferior das portas e tampa do porta-malas são as áreas mais vulneráveis à corrosão, principalmente em carros que rodaram em regiões litorâneas ou com muita umidade. Modelos 2018–2020 apresentam mais pontos de ferrugem quando não houve cuidado preventivo.
Quilometragem. É comum encontrar redução de 30–80 mil km. Sempre confirme com laudo cautelar, histórico de serviços, consulta por chassi e sinais físicos (desgaste de pedais, volante, bancos e interior).
Histórico de manutenção. Veículos com revisões em concessionárias Hyundai ou oficinas especializadas de confiança transmitem muito mais segurança e costumam ter melhor valor de revenda.
O que dá para corrigir e orçamento aproximado para deixar em bom estado
A maioria dos problemas típicos pode ser resolvida:
- instalação de manta acústica adicional nos arcos, assoalho, portas e painel frontal — um dos upgrades mais valorizados;
- atualização de software da central ou troca por unidade Android;
- revitalização ou substituição do couro dos bancos e volante;
- troca de buchas, bieletas de estabilizadora e silentblocks da suspensão traseira (geral depois de 100–140 mil km);
- aplicação de proteção anticorrosiva em cavidades e parte inferior;
- troca de fluido e filtro do câmbio automático a cada 50–70 mil km.
Orçamento adicional aproximado para deixar o carro confortável e confiável (varia conforme estado inicial e oficina):
- mínimo — estética + manutenção básica;
- médio — isolamento acústico + suspensão + proteção anticorrosiva;
- completo — tudo acima + revitalização interna + nova multimídia.
No mercado brasileiro de seminovos é prudente prever um investimento extra que pode variar de moderado a considerável, dependendo do ano, quilometragem e condição geral do exemplar.
Conclusão e recomendações
Em 2026 o Hyundai Santa Fe IV (TM) 2018–2023 segue sendo uma escolha racional no segmento de SUVs médios usados, desde que seja feita uma seleção cuidadosa e que se conheçam bem as características do modelo. As versões mais equilibradas e menos problemáticas são as pós-facelift 2021–2023 equipadas com motor 2.2 CRDi (≈200 cv), câmbio automático de 8 marchas e tração integral HTRAC (quando presente).
Durante a vistoria e test-drive, dê atenção especial a:
- funcionamento do câmbio a frio e a quente (sem trancos, atrasos ou pancadas);
- estado do turbo e sistema EGR/AdBlue (nas versões diesel);
- ausência de ruídos anormais na suspensão em irregularidades pequenas;
- funcionamento correto de todos os assistentes, câmeras e sensores;
- condição da pintura, cavidades ocultas e emendas no cofre e arcos;
- desgaste do interior como indicativo de quilometragem real.
Com histórico transparente, manutenção em dia e mecânica em bom estado, o Santa Fe TM 2018–2023 continua sendo uma das opções com melhor relação custo-benefício no segmento de SUVs médios seminovos no Brasil.