
Depois do fim da produção em 2019, nos sites de classificados predominam os carros dos anos 2016–2018 com quilometragem de 50 a 120 mil km, e são justamente os parâmetros técnicos que mais influenciam a escolha entre os diferentes exemplares. Design, interior e equipamentos são detalhados em outros materiais da série — aqui falamos exclusivamente dos propulsores, transmissões, dimensões e das características que impactam diretamente o uso diário e o custo de propriedade no Brasil.
Propulsores: motores a gasolina modernos e sem complicação extra
A linha de motores do Kia Soul II para os mercados europeu e brasileiro foi construída em torno de motores a gasolina atmosféricos das famílias Gamma e Nu com injeção direta. Nesta geração não foi oferecida tração integral — todas as versões são de tração dianteira, o que combina perfeitamente com o estilo urbano e de subúrbio da maioria dos donos brasileiros. No nosso mercado predominaram as versões a gasolina: o 1.6 GDI se tornou a configuração mais popular graças ao bom desempenho e ao consumo moderado. O motor dois litros era menos comum e geralmente aparecia nas versões mais equipadas. O diesel 1.6 CRDi chegou em quantidades limitadas via importação paralela e não fez muito sucesso por causa do custo de manutenção mais alto e da sensibilidade à qualidade do combustível.
Os motores com injeção direta entregam melhor resposta em baixas rotações em comparação com a geração anterior, mantendo uma economia aceitável. Na prática, o 1.6 GDI é a melhor escolha para a cidade: é vivo e econômico com manutenção normal.
| Tipo de motor | Volume, L | Potência, cv | Transmissão | Tração |
| Gasolina Gamma 1.6 GDI | 1.6 | 130–132 | 6 marchas Manual / 6 marchas Automática | Dianteira |
| Gasolina Nu 2.0 MPI / GDI | 2.0 | 164 | 6 marchas Manual / 6 marchas Automática | Dianteira |
| Diesel U 1.6 CRDi (raro) | 1.6 | 126–128 | 6 marchas Manual / 6 marchas Automática | Dianteira |
Os dois principais motores a gasolina têm corrente de distribuição e oferecem boa força na faixa de rotações urbana. O 1.6 GDI é o mais popular no Brasil: não é exigente com gasolina de qualidade e aguenta tranquilamente até 200 mil km com revisões em dia. A versão 2.0 litros é mais viva na estrada e ideal para quem viaja bastante carregado.
Transmissões e seu comportamento nas estradas brasileiras
O câmbio manual de seis marchas se destaca pela precisão das trocas e grande durabilidade. O câmbio automático (conversor de torque) junto aos dois motores funciona com suavidade e confiabilidade — não apresenta problemas típicos desde que o óleo seja trocado a cada 60–80 mil km. Na prática, o automático com o 1.6 GDI é o mais confortável para uso urbano: é suave e não exige cuidados complicados.

Dimensões e peso: equilíbrio entre compacto e espaço interno
O Kia Soul II é construído sobre uma plataforma com entre-eixos de 2.570 mm. Isso permitiu ganhar bastante mais espaço interno em relação à geração anterior sem perder as dimensões compactas por fora. A altura ao solo de 150 mm é o compromisso ideal para as condições brasileiras: o carro passa lombadas, estradas regionais e trechos de terra leves sem risco de raspar o assoalho. As medidas praticamente não mudaram ao longo de todo o ciclo de vida do modelo, inclusive no facelift de 2017.
| Parâmetro | Valor | Observação |
| Comprimento, mm | 4140 | Hatchback |
| Largura, mm | 1800 | Sem espelhos |
| Altura, mm | 1600–1618 | Depende da versão |
| Entre-eixos, mm | 2570 | Aumento em relação à geração anterior |
| Peso em ordem de marcha, kg | 1240–1426 | Depende do motor e equipamentos |
| Peso bruto total, kg | 1700–1820 | Máximo permitido |
| Altura ao solo, mm | 150 | Ideal para estradas brasileiras |
O baixo peso em ordem de marcha e as proporções ideais da carroceria influenciam positivamente a dirigibilidade e o consumo de combustível. O modelo continua ágil em estacionamentos apertados e confortável na estrada.

Mudanças dentro da geração e seu impacto na mecânica
Nos cinco anos de produção, o Soul PS recebeu um facelift em 2017 que afetou principalmente o visual externo e os equipamentos, mas também incluiu pequenos ajustes na calibração de motores e câmbios para atender às normas de emissões. A gama de propulsores praticamente não mudou — não foram adicionados motores novos. No mercado brasileiro isso significa que os exemplares mais recentes (2017–2019) se diferenciam dos iniciais apenas por pequenas melhorias de confiabilidade e conforto, mantendo toda a simplicidade da construção.
As versões mais procuradas hoje são o 1.6 GDI de 130 cv com câmbio automático para uso urbano e o 2.0 MPI de 164 cv com câmbio automático para quem roda bastante na estrada.

Características de uso real e números verdadeiros
De acordo com dados de sites de classificados brasileiros e fóruns de donos, os motores do Soul II mostram boa confiabilidade até 200 mil km e além. O importante é respeitar os intervalos de troca de óleo a cada 10–12 mil km e usar gasolina de qualidade. O consumo real de combustível no ciclo misto fica entre 7–9 litros por 100 km (cerca de 11–14 km/l) para o 1.6 GDI e entre 8–11 litros por 100 km (cerca de 9–12 km/l) para o 2.0 MPI, dependendo do estilo de direção e da carga.
Os câmbios não geram reclamações em massa quando recebem manutenção no tempo certo. A disponibilidade de peças é excelente — tanto originais quanto de boa qualidade. O nível de reparabilidade é alto: nem motores nem câmbios são “descartáveis”, algo especialmente importante no mercado de seminovos brasileiro.
No geral, a parte técnica do Kia Soul II (PS) oferece o equilíbrio ideal entre preço, consumo, manutenção e valor de revenda exatamente para as realidades brasileiras. No mercado de seminovos de 2026 o modelo continua atual graças à construção comprovada, que entrega economia e desempenho suficiente para a maioria dos usos sem gastos desnecessários.