
O modelo foi apresentado em outubro de 2008 no Salão do Automóvel de Paris e permaneceu em produção até 2016. As vendas na Europa começaram no final de 2008 e o carro conquistou fãs rapidamente pelo equilíbrio entre estilo, custo de uso e versatilidade. No total, foram vendidas mais de 3,5 milhões de unidades no mundo todo, consolidando o Mégane III como um dos maiores sucessos da Renault.
A avaliação do Renault Mégane desta geração começa pela base técnica: a nova plataforma C (arquitetura B/C da aliança Renault-Nissan) aumentou a rigidez da carroceria em 20% e melhorou significativamente a dirigibilidade. O hatch 5 portas mede 4.299 mm de comprimento (+60 mm em relação ao antecessor), 1.804 mm de largura e 1.471 mm de altura, com entre-eixos de 2.640 mm. O porta-malas tem 405 litros (expansível para 1.240 litros com bancos rebatidos), enquanto a perua Grandtour chega a 1.604 litros. As carrocerias incluíam hatch 5 portas, coupé 3 portas, perua e conversível CC.
Os principais traços de design do Renault Mégane geração III vieram da equipe de Mathieu Lehanneur: a traseira "flutuante", faróis em formato de bumerangue e linhas laterais onduladas que transmitem movimento. O interior era moderno na época, com plásticos macios, tela touch opcional e bancos com bom suporte lateral. A oferta mecânica era bem variada: motores a gasolina de 1.2 TCe (100 cv) até 2.0 (140 cv), diesel 1.5 dCi (85–110 cv) e 2.0 dCi (150–160 cv). Câmbios: manual de 5/6 marchas, automático convencional de 4 marchas ou EDC de dupla embreagem de 6 marchas. Segurança de alto nível: 5 estrelas Euro NCAP, 6 airbags, ESP e ABS de série.
No geral, o Renault Mégane III representou uma evolução do extravagante Mégane II para um carro mais maduro, confortável e refinado – uma boa alternativa para quem busca hatches europeus bem conservados no mercado brasileiro.
O que mudou em relação à geração anterior
A passagem do Mégane II para o III foi uma verdadeira revolução. Enquanto o anterior era ousado e angular, o terceiro adotou linhas mais fluidas e muito mais tecnologia. A plataforma C aumentou o entre-eixos em 100 mm, melhorando o espaço traseiro em cerca de 10%. A rigidez torsional subiu 20%, a suspensão ficou mais confortável (com amortecimento adaptativo opcional) e o centro de gravidade baixou 15 mm, melhorando a estabilidade.
No design, saiu do estilo agressivo para formas elegantes – porta-malas flutuante, faróis full LED nas versões topo, coeficiente aerodinâmico de 0,28. No interior, plásticos duros deram lugar a superfícies macias, e nas versões mais equipadas apareceu a tela R-Link de 7 polegadas com navegação, Bluetooth e USB. O conforto melhorou bastante: isolamento acústico +15 dB, bancos dianteiros com massagem (opcional) e ar-condicionado digital bizona comum. Motores da família Energy – o 1.2 TCe entregava potência similar com ~20% menos consumo, dCi Euro 6 com AdBlue nas versões finais, e o EDC substituiu o câmbio automático antigo. A segurança saltou de 4 para 5 estrelas Euro NCAP com cortinas laterais, alerta de ponto cego e ESP de série.
Comparado ao modelo 2002–2009, o Mégane III ficou mais econômico (consumo médio ~1 litro/100 km menor), mais espaçoso e com estrutura mais durável. No mercado de seminovos é valorizado pelo conforto em viagens longas e uso familiar.
Mercado brasileiro de seminovos em 2025-2026
Em 2025-2026, o Renault Mégane III continua sendo uma opção de nicho no mercado de usados brasileiro, especialmente em capitais onde chegam importações europeias. A maioria das unidades é de 2010–2016, importadas da Europa Ocidental, com quilometragem entre 140.000 e 260.000 km. As versões 1.5 dCi diesel são as mais procuradas pelo excelente consumo em rodovias (18–22 km/l), e as Grandtour atraem quem precisa de muito espaço no porta-malas.
Faixa de preço aproximada no mercado brasileiro (venda particular / plataformas como Webmotors, OLX e Mercado Livre, início de 2026):
- Modelos iniciais 2009–2010 (1.6 gasolina, manual): R$ 28.000 – R$ 38.000
- Faixa média 2011–2013 (1.5 dCi, EDC): R$ 42.000 – R$ 58.000
- Unidades bem conservadas 2014–2016 (facelift, 1.5 dCi): R$ 55.000 – R$ 72.000
- Versões GT Line ou Grandtour equipadas: R$ 65.000 – R$ 85.000
As versões 1.5 dCi (90–110 cv) representam a maioria das unidades desejadas graças à economia de combustível (manutenção anual aproximada R$ 2.500–5.000). Hatchs dominam (~70%), peruas ~25%. Os carros costumam ser vendidos em 1–3 meses quando o preço está realista, mas a vistoria completa é essencial – cerca de 25–35% podem ter histórico de frota ou uso intenso.

Versões e equipamentos mais comuns no Brasil
A maioria dos Mégane III que chegam ao Brasil veio nestes níveis de acabamento típicos (adaptados da especificação europeia):
- Authentique / Expression (básica) – ar-condicionado manual, vidros elétricos dianteiros, rádio CD, ABS+ESP, 6 airbags, rodas de aço 15". Equipamento simples e robusto.
- Dynamique / Confort – ar digital, piloto automático, volante multifuncional, rodas de liga 16", sensores de chuva/luzes, Bluetooth, vidros traseiros elétricos. A combinação mais equilibrada e comum.
- Privilege / Luxe – ar bizona, sensores de estacionamento traseiros, faróis xenônio/LED, volante em couro, rodas 17", navegação R-Link. Frequentemente com bancos e lavador de farol aquecidos.
- GT Line / topo de linha (a partir de 2012) – kit esportivo, suspensão mais firme ou adaptativa, teto solar panorâmico, som Bose, chave presencial. Rara no Brasil, mas muito valorizada.
No mercado de usados, a combinação mais desejada é Dynamique com motor diesel: pacote elétrico completo e navegação. As Grandtour na versão Privilege são ideais para famílias pelo porta-malas gigante e barras de teto.
Veredito final
O Renault Mégane 2008–2016 segue sendo uma compra atraente para quem quer um compacto europeu com personalidade a preço acessível:
- Para famílias – interior amplo, porta-malas enorme na perua, nota máxima de 5 estrelas em segurança.
- Para uso urbano e rodoviário – dimensões compactas (~4,3 m), dirigibilidade ágil, consumo entre 14–20 km/l dependendo do motor.
- Para viagens longas – os diesel permitem rodar mais de 900 km com um tanque com facilidade.
Por R$ 45.000–70.000 você leva um hatch confortável e bem equipado que rivaliza com Golf e Focus da mesma época, mas com custos de manutenção geralmente mais baixos (peças costumam ser 40–60% mais baratas que VW). Em 2025–2026 o modelo continua atual pela economia de combustível e boa revenda quando bem cuidado.
Checklist antes de comprar:
- Motores 1.5 dCi – verificar turbo e EGR por fumaça, histórico de manutenção (correia dentada e filtro de partículas são críticos).
- Câmbio EDC – testar trocas bruscas (reparo de embreagem / mecatrônica ≈ R$ 10.000–25.000).
- Carroceria – inspecionar soleiras e parte inferior por ferrugem (especialmente em regiões litorâneas), verificar batidas com medidor de espessura e histórico.
- Eletrônica – sistema R-Link pode apresentar falhas (atualização de software ≈ R$ 800–1.500).
Com um exemplar limpo e vistoria adequada, o Renault Mégane III entrega estilo francês diferenciado, conforto elevado e economia excelente – uma escolha inteligente no segmento de hatches usados.