
No entanto, a versão de produção do modelo revelou que por trás de um design atraente está um carro que luta para encontrar seu lugar no mercado e que, nos primeiros meses, já precisou fazer concessões de preço.
O design como principal argumento
O visual externo do novo Honda Prelude realmente chama a atenção. O cupê tem aparência moderna, as proporções da carroceria destacam seu caráter esportivo e o comprimento de cerca de 4,5 metros transmite a sensação de um veículo maior e mais imponente em comparação com hatches compactos. Com isso, porém, praticamente termina a lista de vantagens evidentes.

Parte técnica sem ambições esportivas
O conjunto propulsor do Prelude é um sistema híbrido composto por motor a gasolina de 2,0 litros e motor elétrico. A potência combinada chega a 203 cv, mas seu potencial é limitado pela transmissão continuamente variável (CVT). A aceleração de 0 a 100 km/h leva cerca de 8,3 segundos, e a velocidade máxima é limitada a 188 km/h.
Esses números parecem modestos não apenas para um cupê que revive um nome lendário, mas também diante de modelos de grande volume mais acessíveis. Carros com motores a gasolina convencionais e preços inferiores frequentemente apresentam desempenho semelhante ou até superior, além de superarem o Prelude em praticidade.

Preço e realidade do mercado
Nos mercados europeus, o Prelude é oferecido por cerca de 48.000 euros. Nos Estados Unidos, o modelo parte de aproximadamente 39.000 euros, sem incluir taxas obrigatórias. Diante desses valores, as tentativas de alguns concessionários de aplicar sobretaxas pareceram bastante questionáveis, já que na mesma faixa de preço os compradores podem optar por cupês esportivos mais potentes e voltados para o prazer de dirigir.
Como era previsível, o interesse foi baixo, e os concessionários rapidamente passaram das sobretaxas para os descontos, reduzindo o preço abaixo do valor recomendado. Mesmo assim, isso não resultou em aumento perceptível da demanda.
Vendas e comparação com concorrentes
As estatísticas dos primeiros meses de vendas nos Estados Unidos mostraram um início fraco: o número de registros do Prelude fica consideravelmente atrás de modelos como Toyota GR 86, Subaru BRZ ou Nissan Z. Mesmo no segmento de cupês de nicho, a Honda se encontra na posição de quem corre atrás.



Perspectivas do modelo
A situação atual levanta dúvidas sobre o futuro do Prelude em sua configuração atual. Um aumento significativo de potência parece improvável, pois inevitavelmente levaria a um aumento de preço. A redução de custo, por outro lado, parece um cenário mais realista, mas exigiria repensar o conceito e possivelmente abandonar o complexo sistema híbrido.
Conclusão
O novo Honda Prelude demonstra até que ponto um design atraente por si só não é suficiente para garantir o sucesso. Com a combinação atual de preço, especificações e expectativas do mercado, o cupê se encontra em uma posição difícil, e o desenvolvimento futuro do modelo dependerá de se a Honda estará disposta a ajustar o rumo escolhido.