
Pois bem, pense — uma empresa de leasing não aguentou o mercado. Mas se cavarmos um pouco mais fundo, fica claro: este é um caso muito ilustrativo, que demonstra perfeitamente os problemas reais dos veículos elétricos e dos negócios ao seu redor.
Como funciona o leasing operacional
Para começar — uma breve explicação da mecânica. O leasing operacional é, essencialmente, uma locação de longo prazo de um automóvel. Sem entrada inicial, sem preocupações com manutenção, seguros e pneus. Você simplesmente paga uma quantia fixa todo mês, dirige uma quantidade estabelecida de quilômetros por ano, e ao final do contrato devolve o carro e pega um novo.
Tudo soa conveniente, e é por isso que na Europa esse formato há muito tempo se tornou massivo. Mas há um ponto chave — o cálculo do valor residual do automóvel.
O risco principal: quão rápido o carro desvaloriza
A empresa de leasing compra o automóvel, prevê quanto ele valerá em 2–4 anos, e a diferença entre a compra e a venda futura é distribuída pelos pagamentos mensais. Se a previsão estiver errada — os problemas começam.
E aqui os veículos elétricos se mostram do lado menos favorável. Eles perdem valor de forma notavelmente mais rápida do que os carros com motores a combustão interna. Especialistas falam sobre isso há muitos anos, mas o mercado parecia fingir que tudo estava sob controle.
Mister Green e a aposta na Tesla
A Mister Green foi all-in: a empresa se especializava exclusivamente em veículos elétricos, principalmente na Tesla. Em diferentes anos, eram os Model S, X, depois — Model 3 e Model Y. Não havia praticamente outros carros no portfólio.
O problema é que, ao contrário dos grandes grupos de leasing, a Mister Green não tinha uma «almofada» de contratos lucrativos com diesel e gasolina. Todos os riscos convergiam em um ponto — os veículos elétricos.
Por que a matemática não fechou
Os pagamentos mensais pelos contratos acabaram sendo baixos demais para cobrir a perda real de valor dos automóveis. E isso sem contar a margem, os riscos e as despesas próprias da empresa.
Enquanto você é um grande jogador com um portfólio diversificado — pode compensar as perdas por algum tempo. Mas se você é «mono-elétrico» — não há opções. A Mister Green caiu na armadilha clássica:
- aumentar os preços — e perder clientes;
- manter os preços baixos — e falir lentamente.
Escolheram o segundo. Esperavam que o mercado «se ajustasse». Não se ajustou.
Como tudo terminou
A empresa confirmou oficialmente a insolvência financeira. Os contratos dos clientes serão transferidos para outros operadores de leasing: nos Países Baixos e na Bélgica — Rebel Lease, na Alemanha — Van Mossel Autolease Deutschland. A marca Mister Green, provavelmente, awaits uma liquidação silenciosa.
Por que essa história é mais importante do que parece
O mais interessante aqui não é a falência em si, mas o fato de que ela revela mais uma camada de subsídio oculto aos veículos elétricos. Fabricantes perdem dinheiro, governos distribuem subsídios, empresas de leasing baixam preços — e tudo isso é pago não diretamente, mas «distribuído» pelo sistema.
Quando tal esquema funciona dentro de um grande holding — é quase invisível. Quando surge uma empresa como a Mister Green, que não tem outras fontes de renda, a realidade chega rápida e dura.
Opinião analítica
Essa história é uma boa oportunidade para parar de olhar para os veículos elétricos através de lentes rosadas. Eles podem ser convenientes, rápidos, tecnológicos, mas do ponto de vista da economia de posse e revenda — tudo está longe de ser tão otimista. A Mister Green simplesmente se tornou aquela que primeiro mostrou honestamente quanto custa de fato essa ideia «verde».