
Apesar da fama de crossover familiar confiável, a terceira geração (ZJ/ZK) tem várias "doenças" conhecidas, especialmente em unidades seminovas com 150.000–250.000 km rodados. O Mitsubishi Outlander usado continua sendo uma escolha popular no Brasil por causa do amplo espaço interno e compatibilidade de peças com modelos Nissan, mas sem uma boa vistoria você pode enfrentar reparos caros. Confira os outros materiais da série para review completo da geração, ficha técnica e fotos do interior.
Os Principais Pontos Fracos da Geração
O Outlander III não é aquele japonês "inquebrável" que alguns imaginam, e as reclamações se repetem nos relatos de donos. Veja o top 10 de problemas mais relatados no uso real:
- Isolamento acústico fraco — a reclamação número 1. Caixas de roda e assoalho deixam entrar muito barulho de rodovia e cascalho, pior com pneus de inverno ou off-road. No período chuvoso ou com poeira o ruído aumenta, o interior fica barulhento como uma van antiga. Muitos instalam isolamento extra por R$ 4.000–R$ 8.000.
- Transmissão CVT (Jatco JF011E) nas versões 2.0 — aquece demais no trânsito parado ou com reboque. Trancos, roncos e atrasos após 150.000–200.000 km são comuns; reparo ou troca custa R$ 15.000–R$ 35.000. Troca de fluido a cada 40.000 km é obrigatória.
- Consumo acima do informado: gasolina 2.0 no uso urbano/chuvoso 11–13 l/100 km, diesel 2.2 — 9–11 l/100 km. O PHEV perde bastante autonomia elétrica no frio (cai para cerca de 30 km em vez de 50 km).
- Corrosão na carroceria: caixas de roda, soleiras, borda do capô e assoalho enferrujam após 6–8 anos, principalmente em unidades vindas dos EUA ou usadas em regiões litorâneas/úmidas. No Brasil a umidade e sal aceleram o processo.
- Diesel 2.2 DI-D: filtro de partículas (DPF) e válvula EGR entopem com combustível de qualidade irregular; limpeza a cada 80.000–100.000 km custa R$ 3.000–R$ 7.000. Motores iniciais com raras trincas na cabeça do motor.
- Batida na cremalheira de direção: surge após 120.000–150.000 km em buracos. Reparo R$ 4.000–R$ 9.000, peça recondicionada sai mais em conta.
- Multimídia SDA desatualizada: até 2018 lenta, tela com reflexos, sem CarPlay (só em versões topo após facelift). Navegação obsoleta, upgrade ou troca por aftermarket R$ 3.000–R$ 7.000.
- Porta-malas elétrico e teto solar panorâmico (após 2015): falhas por condensação em época de chuva, conserto R$ 3.000–R$ 7.000.
- Desempenho fraco no 2.0: 0–100 km/h em 11 segundos, sente-se lento em ultrapassagens, pior com 7 lugares ocupados.
- Peças e manutenção caras: originais Mitsubishi 20–30% mais caros que equivalentes Nissan apesar da compatibilidade. Manutenção anual R$ 2.500–R$ 6.000.
Versões e Anos: Onde Prestar Mais Atenção
2013–2015 (pré-facelift) — os anos mais arriscados segundo donos:
- Isolamento acústico pior de fábrica
- Mais panes eletrônicas: multimídia, sensores
- CVT sem melhorias de refrigeração — superaquecimento frequente
- Diesel 2.2 Euro 5 inicial — EGR e DPF problemáticos
- Menos assistentes de segurança (sem frenagem autônoma, assistente de faixa)
- Maior chance de unidades importadas dos EUA com histórico de colisão
2016–2018 (primeiro facelift) — melhora clara: melhor isolamento (+4 dB), CVT mais suave, motores mais limpos. Ainda assim confira cremalheira e corrosão.
2019–2021 (segundo facelift) — os mais recomendados: bateria PHEV mais durável, interior atualizado, menos rangidos. Diesel mais silencioso, melhor refrigeração na CVT.
Conclusão: 2013–2014 só com grande desconto e laudo completo. 2015 é faixa intermediária. 2016+ são os preferidos, principalmente gasolina 2.0 ou PHEV.
Mercado de Seminovos no Brasil
Em plataformas como Webmotors, OLX e Mercado Livre (dados aproximados final de 2025) existem centenas de anúncios de Outlander III, a maioria pós-facelift 2016–2021.
Características do mercado:
- Muitas unidades importadas dos EUA — mais baratas R$ 20.000–R$ 50.000, mas verifique histórico (acidentes via laudo cautelar — grande parte com sinistro), corrosão e hodômetro adulterado (real 200.000–300.000 km em vez de 100.000 km).
- Corrosão por umidade litorânea e estradas ruins: examine assoalho, caixas de roda e longarinas no elevador.
- Histórico de manutenção: raramente completo em importados. Procure notas fiscais de concessionária Mitsubishi ou Nissan.
- Peças originais: muitas unidades com modificações — diesel sem DPF, rodas não originais. Equipamentos visuais às vezes enganosos.
- Quilometragem: adulterada com frequência — confira livro de revisões, desgaste de pneus e pedais. Média real honesta 180.000–220.000 km.
- Ofertas: gasolina 2.0/2.4 CVT 4WD ~65%, diesel ~15–20%, PHEV ~10–15% (menos comuns e mais valorizadas).
Orçamento para Reparos e Acertos
A maioria dos problemas é reparável. Com R$ 10.000–R$ 30.000 você deixa o carro excelente:
- Isolamento acústico completo — R$ 4.000–R$ 10.000
- Proteção anticorrosiva assoalho e caixas — R$ 2.000–R$ 5.000
- Reparo/troca CVT — R$ 15.000–R$ 30.000
- Limpeza EGR/DPF (diesel) — R$ 3.000–R$ 7.000
- Cremalheira de direção (recondicionada) — R$ 4.000–R$ 9.000
- Central multimídia Android com CarPlay — R$ 3.000–R$ 7.000
- Retoques em couro volante/bancos — R$ 1.500–R$ 5.000
- Diagnóstico bateria PHEV — R$ 1.000–R$ 3.000 (troca rara e >R$ 50.000)
Orçamento realista para bom exemplar 2016–2018: R$ 120.000–R$ 180.000 + R$ 10.000–R$ 25.000 em acertos iniciais. Se os reparos passarem de R$ 30.000 melhor procurar outro. Manutenção anual (20.000–25.000 km): R$ 3.000–R$ 7.000 (óleo, filtros, pastilhas).

Conclusão e Recomendações
O Mitsubishi Outlander III 2013–2021 segue sendo uma compra inteligente em 2025–2026, se você priorizar:
- Facelift 2016–2021
- Gasolina 2.0/2.4 CVT ou PHEV S-AWC
- Menos de 200.000 km com histórico confiável
- Faixa aproximada de preço R$ 110.000–R$ 220.000 (valores de mercado estimados no Brasil)
Você leva um SUV espaçoso, com boa capacidade off-road leve, potencial para 300.000+ km e desvalorização moderada.
Evite ou negocie desconto expressivo em:
- Pré-facelift 2013–2015 com diesel (EGR/DPF)
- Unidades americanas com alta km ou sinistro
- CVT com sintomas de problema ou corrosão estrutural
- PHEV sem laudo recente da bateria
Na vistoria sempre faça:
- Diagnóstico CVT em oficina especializada (teste de temperatura)
- Endoscopia motor (diesel) + verificação EGR
- Inspeção de corrosão no assoalho e caixas de roda
- Test-drive longo (ruído, desempenho, tração 4x4)
- Consulta histórico por chassi e laudo cautelar
Se estiver tudo ok, o Mitsubishi Outlander III será um parceiro confiável para família ou viagens. Perdoa pequenos descuidos melhor que muitos europeus e mantém bom valor de revenda no mercado brasileiro.