
Porém, como qualquer carro com essa idade, ele apresenta algumas características e possíveis problemas que vale a pena avaliar na hora da escolha. Os defeitos do Hyundai Sonata VII, problemas dos modelos 2014–2019 e experiências com Sonata usados são bastante comentados em avaliações de proprietários e fóruns especializados. Neste artigo, destacamos os principais pontos com base em relatos reais e dados de oficinas.
Para conferir o review completo da geração, especificações técnicas e detalhes do interior, veja os outros materiais da série.
Principais defeitos e características da geração
Os donos do Hyundai Sonata LF costumam apontar vários itens que impactam o uso diário. O consumo real de combustível varia conforme o motor e o estilo de direção. O 2.0 MPI aspirado (G4NA, comum via importação da Coreia do Sul e EUA) faz em média 10–12 km/l no ciclo misto com gasolina. Já o mais potente 2.4 GDI (G4KJ, frequente em unidades americanas) fica na faixa de 8,5–10,5 km/l, o que acaba sendo mais alto que o esperado no segmento quando se dirige de forma mais esportiva.
Os sistemas multimídia nas versões pré-facelift (2014–2016) vêm com telas de 7–8 polegadas sem suporte nativo a Android Auto e Apple CarPlay — recursos que só chegaram após 2017. A navegação em carros importados dos EUA ou Coreia geralmente precisa de reprogramação ou troca para funcionar direito com mapas brasileiros, o que leva muita gente a instalar sistemas alternativos.
O isolamento acústico é considerado mediano: o barulho de rodagem e vento fica perceptível acima de 100 km/h, principalmente nas versões de entrada. Os materiais do interior são razoáveis no geral, com plástico macio na parte superior do painel, mas as áreas inferiores e painéis de portas são de plástico rígido que tende a riscar e ranger com o tempo.
A complexidade da manutenção varia pelo motor: o 2.4 GDI (injeção direta, predominante nos importados dos EUA) exige gasolina premium de qualidade e limpeza periódica das válvulas de admissão por acúmulo de carbono. Os preços das peças são acessíveis, mas componentes originais como o câmbio automático A6MF ou certos itens de suspensão podem sair mais caros que as paralelas. Nas versões híbridas (2.0 Hybrid, importadas dos EUA/Coreia) entra o custo de troca da bateria de alta voltagem após 150–200 mil km.
Versões e anos — no que prestar mais atenção
Os modelos iniciais 2014–2016 (pré-facelift) estão mais associados aos conhecidos problemas dos motores Theta II. Especificamente, alguns 2.4 GDI anteriores a 2017 apresentavam consumo excessivo de óleo por desgaste de mancais ou acúmulo de carbono, podendo levar em casos graves a quebras sérias do motor. Isso foi mais comum em unidades importadas dos EUA, onde nem todas as campanhas de recall foram realizadas no prazo.
Após o facelift de 2017, os motores ganharam melhorias: sistema de arrefecimento aprimorado, jatos de óleo e junta de cabeçote reforçada, reduzindo bastante as reclamações. Os sistemas eletrônicos, como monitoramento de ponto cego (BSD) e cruise control adaptativo, ficaram mais confiáveis nas unidades mais novas, embora nos pré-facelift haja relatos de falhas em radares.
As versões híbridas e turbo (2.0 T-GDI, raras no Brasil) demandam cuidados extras: nas híbridas, o estado da bateria; no turbo, turbina e intercooler. As versões a diesel (1.7 CRDi, europeias) praticamente não existem no mercado brasileiro.

Mercado de seminovos no Brasil
No mercado brasileiro de usados, o Hyundai Sonata LF chega principalmente importado da Coreia do Sul e dos EUA. A condição da carroceria depende muito da origem: unidades americanas podem apresentar corrosão em assoalho e caixas de roda por causa do sal nas estradas, enquanto as coreanas geralmente estão melhor preservadas, mas com mais quilometragem por uso intenso (versões LPI a gás de frotas ou táxis).
A umidade e condições climáticas em várias regiões do Brasil aceleram a oxidação em soleiras, longarinas e escapamento, especialmente em áreas litorâneas ou chuvosas. O histórico de serviços é fundamental: falta de documentos muitas vezes esconde reparos de batidas anteriores. A originalidade das peças deve ser checada pelo chassi (VIN); é comum encontrar paralelas pelo custo.
A quilometragem real é ponto crítico: no mercado é comum adulteração do hodômetro entre 80–160 mil km. Sempre verifique por meio de laudos ou bases de dados e faça inspeção profissional. Preços típicos para modelos 2017–2019 com 120–200 mil km em acabamentos intermediários a topo, motores 2.0 MPI ou 2.4 GDI, ficam na faixa de R$ 60.000–R$ 90.000 dependendo da condição e região. As híbridas costumam sair 20–30% mais caras.
O que dá para resolver e orçamento para deixar em bom estado
Muitos defeitos do Sonata LF são corrigíveis sem gastar muito. Melhorar o isolamento acústico com manta extra em portas, assoalho e caixas de roda reduz o ruído em 20–30%. Atualizar a multimídia é simples trocando a central por uma Android com suporte aos protocolos atuais.
Substituir partes desgastadas do interior, como laterais dos bancos ou apliques brilhantes, é fácil em desmanches ou com equivalentes. A suspensão (amortecedores, buchas) é manutenção normal pela idade, e dá para aplicar tratamento anticorrosivo no assoalho. A manutenção programada inclui troca de óleo do câmbio a cada 60–80 mil km e limpeza de válvulas nos motores GDI.
Na compra, é prudente reservar uma margem conforme o estado: como referência de mercado, 10–20% do valor para vistoria, reparos leves e preventivas. Para um carro com 150 mil km, isso equivale a R$ 8.000–R$ 18.000 dependendo do que aparecer na inspeção. Orientativamente, preço de mercado no Brasil para exemplares bem cuidados em 2026: R$ 55.000–R$ 85.000.
Conclusões e recomendações
Em 2026, o Hyundai Sonata VII (LF) segue sendo uma compra sensata se escolhida com cuidado e priorizando as versões facelift 2017–2019. Os anos iniciais 2014–2016 pedem mais cautela pelo risco maior nos motores, sobretudo o 2.4 GDI importado dos EUA. A combinação mais equilibrada é o 2.0 MPI com câmbio automático de 6 marchas: mais simples de manter e menos propenso a queima de óleo excessiva.
Na vistoria, foque em: motor (nível de óleo, ruídos estranhos), câmbio (trocas suaves), suspensão (folgas), carroceria (oxidação), interior (desgaste e rangidos). Um test-drive longo revela o isolamento e o comportamento em irregularidades. Com seleção criteriosa e manutenção em dia, esse Sonata pode rodar muitos quilômetros com confiabilidade.