BMW Série 7 III (E38, 1994–2001) – Análise técnica completa: motores, câmbios e dimensões

A terceira geração do BMW Série 7, conhecida como E38, foi produzida entre 1994 e 2001 e representou o auge do luxo, da tecnologia e do refinamento da marca bávara nos anos 90.

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Este modelo uniu elegância atemporal, potência fluida e inovações de engenharia que o tornaram um ícone na Europa e que chegou ao Brasil por meio de importações oficiais ou independentes no final dos anos 90. Sua plataforma de tração traseira com amplo uso de alumínio no chassi e na carroceria proporcionava um equilíbrio perfeito entre dirigibilidade dinâmica e conforto excepcional. Neste guia detalhamos os motores, câmbios, dimensões, pesos, evoluções ano a ano e aspectos reais de posse no mercado brasileiro.

Motores e câmbios

A linha de motores do BMW Série 7 1994–2001 contava com V8 e V12 a gasolina extremamente suaves, além de opções diesel turbo mais restritas, todos projetados para rodar com tranquilidade e entrega de força linear. A maioria com bloco de alumínio e VANOS nas versões mais tardias. Gasolina: de I6 2.8 L (193 cv) até V8 4.4 L (286 cv) e V12 5.4 L (326 cv). Diesel: I6 turbo 2.5 L (143 cv) e V8 biturbo 3.9 L (245 cv). Câmbios: principalmente o excelente automático ZF de 5 marchas; manual de 5 marchas apenas nas versões de entrada e raríssimo hoje. Tração traseira exclusiva (sem opção integral).

Motor Tipo / Cilindrada Potência (cv) Câmbio Tração
728i I6, 2.8 L 193 Manual 5 marchas / Auto 5 marchas Traseira
730i V8, 3.0 L 218 Auto 5 marchas Traseira
735i V8, 3.5 L 235 Auto 5 marchas Traseira
740i V8, 4.0–4.4 L 286 Auto 5 marchas Traseira
750i V12, 5.4 L 326 Auto 5 marchas Traseira
725tds I6 turbo diesel, 2.5 L 143 Manual 5 marchas / Auto 5 marchas Traseira
730d I6 turbo diesel, 2.9 L 184–193 Auto 5 marchas Traseira
740d V8 biturbo diesel, 3.9 L 245 Auto 5 marchas Traseira

Aceleração de 0 a 100 km/h entre 6,6 e 10,6 segundos conforme a versão. Consumo real estimado (misto, com base em testes equivalentes e relatos de proprietários): gasolina 7–11 km/l (aprox. 9–14 L/100 km), diesel 9–13 km/l (aprox. 8–11 L/100 km), dependendo do motor e do estilo de condução.

Dimensões e peso

O E38 tinha dimensões de um verdadeiro carro de topo. A construção com grande quantidade de alumínio mantinha o peso razoável para a categoria e garantia rigidez estrutural excepcional. Peso em ordem de marcha varia de cerca de 1.740 kg (versões curtas básicas) até mais de 2.280 kg (versões longas com V12 e equipamento completo). Peso bruto total até 2.400–2.600 kg. Todas com tração traseira e câmbio automático de 5 marchas (manual extremamente raro).

Versão Comprimento (mm) Largura (mm) Altura (mm) Entre-eixos (mm) Peso em ordem / Bruto (kg) Câmbio Tração
Padrão 4984 1862 1435 2930 1740-2000 / 2400-2500 Auto 5 marchas Traseira
Longa (L) 5124 1862 1425 3070 1900-2280 / 2500-2600 Auto 5 marchas Traseira
740i 4984 1862 1435 2930 1945 / 2495 Auto 5 marchas Traseira
750iL 5124 1862 1425 3070 2280 / 2600 Auto 5 marchas Traseira

Altura livre do solo de 120-140 mm — adequada para asfalto, mas exige cuidado em lombadas altas e entradas íngremes comuns em muitas cidades e condomínios brasileiros.

Atualizações por ano (facelift 1998)

O grande facelift chegou em 1998. Antes: motores 728i (I6 2.8), 730i (V8 3.0), 735i (V8 3.5), 740i (V8 4.0), 750i (V12 5.4), 725tds diesel. Após 1998: para-choques redesenhados, faróis com lentes claras, lanternas novas e —principalmente— melhorias nos motores: 740i ganhou o 4.4 L M62TUB44 (286 cv, 440 Nm), introdução do 730d (diesel I6 184–193 cv) e 740d biturbo (245 cv) em alguns mercados. Avanços em eletrônica, segurança (airbags de cortina HPS, DSC opcional) e acabamento interno. No Brasil, as unidades pós-facelift (1999–2001) costumam ser as mais valorizadas hoje por maior confiabilidade, refinamento e disponibilidade de peças.

Aspectos de uso e manutenção – Mercado brasileiro

A versão mais comum e recomendada no mercado de usados no Brasil é o 740i / 740iL com V8 4.4 L. Esses carros podem ultrapassar tranquilamente 300.000 km com manutenção em dia. Consumo real misto geralmente fica entre 7–9 km/l (aprox. 11–14 L/100 km) com gasolina premium. Problemas recorrentes: câmbio ZF 5HP24 (revisão completa ~R$ 15.000–30.000 após 200.000–300.000 km), sistema de arrefecimento (bomba d’água, termostato, radiador), vedações VANOS, vazamentos de óleo (juntas de tampa de válvulas, cárter), telas com pixels queimados no painel, falhas eletrônicas (módulo ABS, corpo de borboleta). Suspensão (especialmente EDC, quando presente) e buchas desgastam com o tempo. Peças continuam disponíveis graças ao bom suporte de reposição paralela e programas BMW Classic — muitas custam 40–70% menos que as originais. Corrosão não é problema comum, exceto em regiões litorâneas com maresia.

Conclusão

Para a maioria dos compradores brasileiros hoje, o ponto ideal continua sendo o 740i / 740iL pós-1998 com V8 4.4 L, câmbio automático de 5 marchas e tração traseira. Esses exemplares costumam circular na faixa de R$ 120.000–280.000 dependendo do estado e quilometragem (mercado 2025-2026), entregam consumo razoável para a categoria, têm boa oferta de peças e ainda chamam muita atenção pelo design clássico. O BMW Série 7 E38 segue sendo um dos sedãs de luxo grandes mais prazerosos já feitos — perfeito para quem busca presença, conforto e uma condução analógica com personalidade.