
Mais um exemplo é a empresa Novo Energy, que formalmente ainda existe, mas paralisou praticamente todas as suas atividades e demitiu todos os funcionários. A situação ilustra claramente os problemas sistêmicos enfrentados pela indústria europeia de baterias.
Como a fábrica perdeu seu futuro
A Novo Energy foi inicialmente concebida como um projeto estratégico. A empresa foi criada para fornecer baterias de produção própria ao grupo automotivo Volvo. Posteriormente, a montadora adquiriu integralmente a companhia, assumindo o controle de seu desenvolvimento e financiamento.
Estava previsto que a fábrica em Gotemburgo alcançasse produção em larga escala e pudesse fabricar anualmente baterias com capacidade total de até 50 GWh. Essas baterias seriam destinadas às fábricas europeias da Volvo e, potencialmente, a outras marcas do grupo Geely. Na prática, porém, o projeto enfrentou restrições econômicas impossíveis de superar.
Razões econômicas da paralisação
A produção de baterias na Europa continua sendo cara. Os altos preços da eletricidade, os custos com mão de obra e a logística tornam as baterias europeias menos competitivas em comparação com as produzidas em outras regiões. Mesmo com o apoio de um grande grupo automotivo, a fabricação de baterias ao "custo europeu" revelou-se não rentável.
Um fator adicional foi a redução da demanda por veículos elétricos. As vendas dos principais modelos elétricos da Volvo caíram significativamente no último ano, diminuindo a necessidade de baterias próprias. Como resultado, a empresa não viu sentido econômico em colocar em operação uma fábrica cujos produtos seriam mais caros que as opções de fornecimento alternativas.
Paralisação total das operações
Ao longo do último ano, a Novo Energy já vinha reduzindo o quadro de funcionários, mas agora foi tomada uma decisão mais radical. Todos os empregados remanescentes receberam notificações de demissão. A empresa classifica o ocorrido como uma "pausa temporária", porém a ausência de trabalhadores e processos produtivos significa, na prática, o congelamento indefinido do projeto.
Representantes sindicais apontam que as expectativas de retomada da produção são praticamente nulas. O fechamento da unidade representa uma perda significativa para a região de Gotemburgo e a parte ocidental da Suécia, onde se esperavam empregos de longo prazo e o desenvolvimento de infraestrutura industrial.
Contexto mais amplo na Europa
A história da Novo Energy não é um caso isolado. Anteriormente, outros projetos europeus, incluindo empresas de baterias de maior porte, enfrentaram dificuldades semelhantes. Muitos dependiam de subsídios e apoio governamental, mas mesmo aportes financeiros expressivos não conseguiram compensar os problemas estruturais.
Sem um modelo sustentável capaz de operar sem suporte externo contínuo, essas empresas tornam-se vulneráveis a qualquer mudança no mercado. A queda na demanda ou o aumento dos custos rapidamente colocam em xeque sua viabilidade.
Conclusão
A paralisação da Novo Energy demonstra que estabelecer uma produção de baterias competitiva na Europa permanece uma tarefa complexa. Os elevados custos e a demanda instável por veículos elétricos tornam projetos como esse de alto risco, mesmo com a participação de grandes grupos automotivos. Sem mudanças sistêmicas, esse tipo de fábrica continuará enfrentando os mesmos desafios.