BMW abandona botões físicos: controle por toque e segurança | Notícias automotivas globais automotive24.center

Por que o abandono dos controles físicos pela BMW gera cada vez mais questionamentos

Este artigo examina uma das tendências mais marcantes da indústria automotiva contemporânea: a migração completa para o controle por toque no interior dos veículos.

twitter facebook whatsapp linkedin

Através do exemplo da BMW, analisa-se por que esse caminho tem gerado críticas, quais são as razões por trás das decisões das montadoras e quais as consequências práticas para os motoristas.

Telas sensíveis ao toque como novo padrão

Nos últimos anos, as montadoras têm transferido de forma cada vez mais intensa o controle das principais funções do veículo para grandes telas sensíveis ao toque. Botões e comandos giratórios desaparecem, sendo substituídos por menus multinível e ícones virtuais. Formalmente, essa abordagem é justificada pela busca pelo minimalismo e pelo «futuro digital», mas na prática ela altera completamente a lógica de interação entre o motorista e o veículo.

Mesmo com uma estrutura de menus bem planejada, o controle por toque exige que o motorista tire os olhos da estrada. Diferentemente dos botões físicos, que podem ser acionados pelo tato, a tela obriga a verificação constante da posição do dedo. Isso cria uma contradição: os sistemas de segurança alertam contra distrações, mas a própria interface as incentiva.

Segurança e usabilidade: teoria versus prática

Estudos realizados por institutos independentes e universidades mostram que as interfaces sensíveis ao toque nos veículos aumentam o tempo de reação do motorista. Controlar o ar-condicionado, a navegação ou o aquecimento dos bancos por meio da tela se mostra mais complexo e mais lento do que com os comandos tradicionais.

Ainda assim, as montadoras continuam seguindo nessa direção. A razão vai além do design e envolve também aspectos econômicos. Os componentes físicos exigem desenvolvimento específico para cada modelo, enquanto uma tela universal permite reduzir custos por meio da padronização e atualizar funcionalidades via software.

A história do iDrive e seu abandono

Por muito tempo, a BMW foi considerada exemplo de uma abordagem mais equilibrada. O sistema iDrive, lançado no início dos anos 2000, combinava uma tela com um controlador giratório e botões físicos. Com o passar do tempo, alcançou elevado nível de usabilidade, permitindo realizar diversas operações praticamente sem olhar para a tela.

No entanto, a marca decidiu abandonar também essa solução. Nos modelos mais recentes da BMW, até o último elemento físico de controle do sistema multimídia está sendo gradualmente eliminado. Todas as funções migram para a tela sensível ao toque e as formas alternativas de interação são suprimidas.

Reação do mercado e posicionamento da marca

Apesar da clara insatisfação de parte do público, representantes da BMW afirmam que os usuários recebem essas mudanças de forma positiva. Segundo a marca, os clientes não demonstram desejo de voltar aos botões tradicionais.

Tais declarações parecem controversas, especialmente porque diversos concorrentes já começaram a rever suas decisões e a reintroduzir controles físicos para funções essenciais. A prática demonstra que a experiência real de uso difere significativamente das impressões obtidas em estandes de exposição e apresentações.

Conclusão

O abandono dos controles físicos não é questão de moda, mas um compromisso entre redução de custos, design e usabilidade. O caso da BMW evidencia que não existe solução universal. As telas sensíveis ao toque simplificam a produção, mas tornam a interação com o veículo mais complexa. Nos próximos anos será possível avaliar a sustentabilidade dessa abordagem e se ela será ajustada às reais necessidades dos motoristas.