
A situação envolvendo a Tesla ilustra de forma clara como os líderes no segmento de veículos elétricos podem mudar rapidamente e por que as marcas estrangeiras encontram dificuldades cada vez maiores para manter suas posições na China.
A importância da China para a Tesla
Para a Tesla, o mercado chinês tem relevância estratégica fundamental. Cerca de metade de todos os veículos produzidos pela empresa é comercializado na China. Os modelos Model 3 e Model Y, apesar da idade e da concorrência crescente, mantiveram volumes de vendas elevados por longo período. No entanto, nem mesmo essa solidez conseguiu proteger a Tesla das transformações em curso no setor.
Novo líder entre os sedãs elétricos
Nos últimos anos, os fabricantes chineses fortaleceram significativamente suas posições e passaram a superar as marcas estrangeiras. O exemplo mais emblemático foi a entrada da Xiaomi no mercado, uma empresa que há apenas dois anos não tinha relação com a indústria automotiva. Seu primeiro sedã elétrico, o SU7, tornou-se o sedã elétrico mais vendido na China no ano passado.
Foram comercializadas cerca de 258 mil unidades ao longo do ano, enquanto o Tesla Model 3 alcançou aproximadamente 200 mil exemplares. A diferença foi expressiva, sobretudo considerando tratar-se de uma empresa estreante no setor automotivo.
Motivos do sucesso do Xiaomi SU7
A popularidade do SU7 resulta da combinação de diversos fatores. Em design e desempenho dinâmico, o veículo é frequentemente comparado ao Porsche Taycan, mas seu preço se situa no patamar de modelos de grande volume. A versão base do SU7 apresentou-se cerca de 9% mais barata que o Tesla Model 3, o que representou um argumento decisivo para os compradores.
Um fator adicional foi a origem do modelo. Cada vez mais compradores chineses, especialmente entre os jovens, preferem marcas locais e direcionam menos suas escolhas para marcas estrangeiras. Essa tendência impacta negativamente não apenas a Tesla, mas também outros fabricantes internacionais.
Atualização do modelo e aumento do interesse
A Xiaomi segue desenvolvendo ativamente sua linha. A partir da primavera, será lançada a versão atualizada do SU7, na qual até a configuração básica contará com lidar para o funcionamento de sistemas avançados de assistência ao motorista. Além disso, a autonomia foi ampliada para 902 quilômetros segundo o ciclo CLTC, oficialmente utilizado na China. Para comparação, o Tesla Model 3 atinge cerca de 830 quilômetros pelo mesmo método.
O interesse pela versão atualizada foi extremamente elevado: nos primeiros 15 dias após a abertura dos pedidos, foram registradas cerca de 100 mil reservas antecipadas. A principal limitação para o fabricante continua sendo a capacidade de produção.

Planos de expansão da gama de modelos
Ao longo do ano, a Xiaomi planeja apresentar seu terceiro modelo — o crossover YU9. Ele será equipado com dois motores elétricos e um motor a gasolina de 1,5 litro atuando como gerador. A autonomia total declarada alcançará até 1.500 quilômetros segundo o ciclo CLTC.
Conclusões
A situação no mercado chinês demonstra com clareza a velocidade com que o equilíbrio de forças pode se alterar no segmento de veículos elétricos. O sucesso da Xiaomi evidencia a crescente competitividade dos fabricantes locais e torna mais complexa a posição das marcas estrangeiras, para as quais a China permanece um mercado de importância estratégica.