Renault Mégane IV (2016–2023) – Principais problemas e defeitos conhecidos | Guia de compra usado | automotive24.center

Renault Mégane IV (Mk4 / BFB/BFK) (2016–2023) – Principais defeitos, pontos fracos e o que prestar atenção ao comprar usado

A quarta geração do Renault Mégane, produzida entre 2016 e 2023, trouxe design moderno, tecnologia atualizada e motores econômicos para o segmento de compactos médios.

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No entanto, como a maioria dos modelos da categoria, apresenta alguns defeitos conhecidos e particularidades no uso diário. Este guia aponta os problemas mais relatados e os aspectos que você deve observar ao procurar um Mégane IV usado no mercado brasileiro. Para review completo do modelo, ficha técnica e fotos do interior, confira os demais conteúdos da série.

Principais pontos fracos e realidades do dia a dia

Os donos do Renault Mégane IV costumam destacar os seguintes itens que podem influenciar o uso cotidiano e a posse a longo prazo:

  • Consumo de combustível: As versões diesel 1.5 dCi / Blue dCi conseguem em média 18–22 km/l no ciclo misto conforme relatos reais, enquanto os motores a gasolina 1.3 TCe geralmente fazem 11–14 km/l, com gasto maior na cidade ou em caso de problemas no sistema de injeção direta.
  • Multimídia e navegação: O sistema R-Link 2/3 com tela vertical pode apresentar lentidão, travamentos ou respostas demoradas, principalmente nos modelos anteriores a 2020. A navegação exige atualizações constantes dos mapas e a integração inicial com Android Auto / Apple CarPlay nem sempre foi confiável.
  • Isolamento acústico: O nível de isolamento é médio para a categoria — ruído de rolamento e vento fica perceptível acima de 100–110 km/h, sobretudo nas versões pré-facelift sem pacote adicional de isolamento.
  • Qualidade dos materiais internos: O acabamento mistura plásticos macios e rígidos; com o tempo surgem desgastes nos apoios laterais dos bancos e as peças brilhantes acumulam riscos e marcas de dedo.
  • Complexidade de manutenção: Algumas operações, como troca de óleo no câmbio EDC de dupla embreagem, exigem ferramentas específicas e software da Renault. Diagnóstico eletrônico muitas vezes requer oficina autorizada ou especializada.
  • Custo de peças e reparos: Consertos no câmbio EDC (kit de embreagem ou módulo mecatrônico) costumam ser caros; componentes do diesel como filtro de partículas (DPF) e sistema AdBlue também têm valores elevados, embora existam opções paralelas no mercado.

Esses pontos não aparecem em todos os exemplares e muitos carros bem cuidados rodam sem grandes problemas.

Anos e versões — o que merece atenção especial

Os modelos mais antigos (2016–2018) tendem a apresentar mais incidências do que os posteriores. Pontos importantes para verificar:

  • O motor 1.2 TCe (H5Ft) até 2018 pode ter consumo elevado de óleo ou alongamento prematuro da corrente de distribuição em alguns casos.
  • Os motores diesel 1.6 dCi (R9M) anteriores a 2019 são considerados menos robustos que os 1.5 dCi / Blue dCi (K9K) posteriores, que passaram a usar AdBlue a partir de 2018 para atender normas de emissões mais rígidas.
  • Os câmbios EDC iniciais podem apresentar trancos ao passar da 1ª para a 2ª marcha; após 2020 (facelift) o software foi aprimorado e as reclamações diminuíram bastante.
  • As versões pós-facelift (2020–2023) receberam atualizações de firmware na multimídia e assistentes, melhorando a estabilidade geral.

As versões esportivas (RS e GT) exigem cuidado redobrado com turbina, freios e suspensão.

Mercado de usados no Brasil

No Brasil, o Renault Mégane IV nunca foi vendido oficialmente em grandes volumes, por isso é um modelo raro. A maioria das unidades disponíveis é importação particular (principalmente da Europa: Alemanha, França, Polônia, Países Baixos) ou mercado cinza. As ofertas mais comuns são hatchbacks e peruas 2017–2021 com quilometragem entre 150.000–250.000 km.

O estado da carroceria depende muito da procedência: veículos do norte da Europa podem apresentar corrosão no assoalho e caixas de roda devido ao sal nas estradas de inverno. O clima brasileiro (umidade, chuva, litoral) pode agravar outros tipos de oxidação, por isso é essencial fazer vistoria em elevador.

O histórico de manutenção é fundamental: muitos carros trazem registros europeus, mas vale confirmar em oficinas Renault locais. Verifique a originalidade de componentes (faróis, central multimídia), pois substituições por peças paralelas são frequentes.

A quilometragem real pode ser adulterada; sempre cheque por consulta de chassi, laudo cautelar ou scanner completo. As versões mais vistas são diesel 1.5 dCi com câmbio EDC — procuradas pelo baixo consumo, mas exigem inspeção minuciosa da transmissão.

O que dá para corrigir e orçamento para deixar em bom estado

Muitos dos pontos típicos podem ser melhorados ou resolvidos:

  • Melhor isolamento acústico: Aplicação de manta adicional nas caixas de roda e portas reduz bastante o ruído (oficinas especializadas).
  • Atualização da multimídia: Atualização de firmware do R-Link ou instalação de unidades compatíveis paralelas elimina lentidão e travamentos.
  • Renovação do interior: Revestimento dos bancos ou troca de apliques é viável com materiais acessíveis.
  • Reparos na suspensão: Troca de buchas, bieletas ou amortecedores recupera o conforto em pisos irregulares.
  • Prevenção de corrosão: Aplicação de proteção anticorrosiva no assoalho e caixas de roda aumenta a durabilidade.
  • Manutenção preventiva: Trocas de óleo do EDC nos prazos corretos (a cada 60.000–90.000 km) e limpeza do DPF evitam panes caras.

Na hora da compra, é sensato reservar 10–20% do valor do carro para vistoria inicial, manutenção e pequenos ajustes, dependendo da quilometragem e do estado geral.

Conclusão e recomendações de compra

Em 2026, o Renault Mégane IV continua sendo uma opção interessante no mercado de usados, desde que você encontre um exemplar bem conservado e com histórico transparente. As unidades pré-facelift (2016–2018) pedem mais cuidado com motor e câmbio, enquanto as pós-facelift 2020–2023 apresentam menos problemas.

As configurações mais equilibradas são os diesel 1.5 Blue dCi de 115 cv com câmbio manual ou EDC atualizado, preferencialmente de 2019–2021. Durante a vistoria e test-drive, preste atenção especial a:

  • suavidade e qualidade das trocas de marcha.
  • estado da turbina e do sistema AdBlue (nos diesel).
  • ausência de códigos de falha na eletrônica por scanner completo.
  • corrosão oculta no assoalho e estrutura.
  • comportamento da suspensão em irregularidades.

Com uma boa análise prévia, o Mégane IV pode entregar uso confiável, confortável e econômico sem surpresas caras.