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Por que a Dacia não busca as cinco estrelas no Euro NCAP

O sistema de avaliação de segurança Euro NCAP há muitos anos permanece um dos principais referenciais para compradores de carros novos na Europa

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As altas avaliações nos testes de colisão são usadas pelos fabricantes em sua publicidade e são consideradas uma vantagem importante no mercado. No entanto, nos últimos anos, a abordagem da organização tem sido cada vez mais questionada, especialmente entre as marcas que apostam em veículos acessíveis.

Uma dessas empresas é a Dacia. O fabricante romeno não busca abertamente as avaliações máximas do Euro NCAP e prefere manter os preços dos veículos em um nível mais baixo, mesmo que isso resulte em uma menor quantidade de estrelas na avaliação final.

Como as avaliações do Euro NCAP evoluíram

Inicialmente, o Euro NCAP foi criado como um programa para avaliar a segurança passiva dos automóveis. O foco principal era a proteção do motorista e dos passageiros durante colisões. Com o tempo, porém, a metodologia passou a levar em conta um número crescente de sistemas de assistência eletrônica e tecnologias de prevenção de acidentes.

Hoje, a avaliação final depende não apenas da resistência da carroceria ou do funcionamento dos airbags, mas também da presença de:

  • sistemas de frenagem automática;
  • assistência de manutenção de faixa;
  • monitoramento de fadiga do motorista;
  • reconhecimento de sinais de trânsito;
  • sistemas de assistência adaptativa à condução.

Para obter as cinco estrelas máximas, os fabricantes precisam equipar os veículos com uma grande quantidade de eletrônica, incluindo sistemas caros mesmo no segmento de volume.

A posição da Dacia

A Dacia adota uma estratégia diferente. A empresa enfatiza a acessibilidade dos veículos e busca evitar equipamentos complexos que aumentariam substancialmente o preço do carro.

Em uma entrevista, o diretor técnico do Euro NCAP, Richard Schram, observou que a Dacia conscientemente não busca as avaliações máximas. Segundo ele, a empresa tem acesso às tecnologias necessárias graças à parceria com a Renault, mas a marca não considera justificada a adoção em massa de todos os sistemas de assistência eletrônica.

O motivo não está relacionado apenas ao preço. Muitos desses sistemas exigem calibração complexa, sensores e câmeras adicionais, e também aumentam os custos de reparo e manutenção do veículo.

Segurança e número de estrelas

O número de estrelas do Euro NCAP nem sempre reflete diretamente o nível de proteção básica dos passageiros. A metodologia atual combina em uma única avaliação tanto os resultados dos testes de colisão reais quanto a eficácia dos assistentes eletrônicos.

Por isso, veículos com um design mais simples podem receber uma avaliação final mais baixa, mesmo que demonstrem bons resultados na proteção em colisões.

Um exemplo claro é o Dacia Duster. Apesar de sua avaliação de três estrelas, o modelo demonstrou um alto nível de proteção infantil em caso de acidente. Em algumas categorias, o veículo ficou no mesmo nível de concorrentes mais caros com cinco estrelas.

Ao mesmo tempo, alguns fabricantes aproveitam as particularidades da metodologia Euro NCAP para fins de marketing. Frequentemente, são enviadas para os testes versões com o máximo de equipamentos e um pacote estendido de assistentes, enquanto as versões básicas contam com equipamentos muito mais modestos.

Por que os fabricantes debatem a necessidade dos sistemas de assistência

Os sistemas modernos de assistência ao motorista podem realmente reduzir o risco de certos tipos de acidentes. No entanto, muitos motoristas e especialistas apontam que o funcionamento dessas tecnologias nem sempre é previsível.

A crítica recai especialmente sobre os sistemas de baixo custo, que podem reagir de forma incorreta à situação na estrada, emitir alertas falsos ou intervir na condução sem necessidade clara.

Para veículos de menor preço, incorporar uma grande quantidade de sistemas de assistência eletrônica representa um compromisso entre o preço e o nível de equipamentos. Os fabricantes precisam escolher entre manter um custo acessível e melhorar as avaliações em testes independentes.

Resumo

O debate em torno das avaliações do Euro NCAP mostra como a própria compreensão da segurança automotiva está mudando. Hoje, a avaliação final depende não apenas da resistência da carroceria e da proteção dos passageiros, mas também da presença de assistentes eletrônicos.

A Dacia aposta em veículos mais simples e acessíveis, aceitando avaliações mais baixas. No entanto, os resultados reais dos testes de colisão mostram que mesmo os modelos de três estrelas podem oferecer um alto nível de segurança passiva.