Kia Soul I (AM) 2009–2014: problemas, defeitos e consumo | automotive24.center

O Kia Soul de primeira geração ainda chama atenção, mas estes problemas exigem cuidado

Com visual marcante, posição de dirigir elevada e cabine espaçosa, o primeiro Kia Soul continua atraente entre os usados, mas a idade do projeto torna uma boa inspeção indispensável.

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No mercado brasileiro, unidades dos anos 2011–2013 com quilometragem entre 90.000 e 160.000 km costumam ser anunciadas por aproximadamente R$ 42.000–R$ 65.000, dependendo do ano, da versão, do estado de conservação e do histórico de manutenção. Preço de mercado estimado para o Brasil: R$ 42.000–R$ 65.000. Muitos compradores ainda enxergam o modelo como uma opção prática para o uso urbano, graças às dimensões compactas, à posição de dirigir elevada e ao bom aproveitamento interno. Outros conteúdos desta série apresentam a geração, as especificações técnicas e o interior. Antes da compra, porém, é importante entender como o modelo envelhece diante de condições comuns no país, como trânsito intenso, asfalto irregular, calor elevado e manutenção nem sempre realizada no prazo correto.

Carroceria e pintura diante do clima e das vias brasileiras

A camada de pintura do Soul de primeira geração é relativamente fina, principalmente no capô, nos para-lamas dianteiros e nas partes inferiores das portas. Pequenos danos causados por pedras podem aparecer já entre 20.000 e 40.000 km de uso em rodovias. Em cidades litorâneas, como Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Florianópolis, a maresia e a umidade podem acelerar o surgimento de oxidação superficial nas caixas de roda, soleiras e bordas inferiores das portas. As caixas de roda traseiras e as áreas escondidas sob as soleiras merecem atenção especial a partir de 70.000–100.000 km. Alguns proprietários recorrem a tratamentos anticorrosivos e películas de proteção para a pintura, medidas que ajudam na conservação, mas aumentam o investimento necessário após a compra.

Motores e consumo real de combustível

O motor 1.6, predominante nas unidades vendidas no Brasil, apresenta boa durabilidade quando recebe manutenção adequada. Ainda assim, o consumo real pode ficar acima do esperado em congestionamentos, com o ar-condicionado ligado e em trajetos curtos. Nas versões flex, é comum obter cerca de 7–9 km/l na cidade e 9–11 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, as médias costumam ficar entre 9–11 km/l no uso urbano e 12–14 km/l em rodovias. Algumas unidades importadas podem ter configurações diferentes, incluindo motor 2.0, com consumo mais elevado. Combustível de procedência duvidosa, trocas de óleo atrasadas e uso frequente em percursos curtos podem favorecer o acúmulo de resíduos no corpo de borboleta e nos injetores, prejudicando a resposta do motor. O câmbio automático costuma funcionar de maneira suave quando bem cuidado, mas exige substituição preventiva do fluido; unidades negligenciadas podem apresentar trancos, demora nas trocas ou hesitação ao engatar.

Suspensão e conjunto dianteiro em ruas esburacadas

A suspensão absorve razoavelmente bem buracos e ondulações, mas o piso irregular e as lombadas mais agressivas aceleram o desgaste de alguns componentes. Bieletas da barra estabilizadora, buchas das bandejas dianteiras e terminais de direção podem exigir substituição entre 40.000 e 70.000 km, especialmente em veículos usados diariamente em grandes centros como São Paulo, Belo Horizonte e Goiânia. Acima de 100.000 km, também é comum encontrar amortecedores, coxins e rolamentos de roda desgastados. Esses reparos não estão entre os mais caros da categoria, mas a necessidade de trocar várias peças ao mesmo tempo pode elevar bastante o custo inicial de manutenção.

Interior, isolamento acústico e central multimídia

O isolamento acústico do Soul de primeira geração é apenas mediano para um veículo de sua época. Acima de 100 km/h, o ruído dos pneus e das caixas de roda fica bastante perceptível dentro da cabine, sobretudo quando o carro utiliza pneus com desenho mais agressivo. Os materiais internos são resistentes, mas o tecido dos bancos pode apresentar desgaste depois de 80.000–100.000 km, enquanto os plásticos rígidos tendem a produzir pequenos rangidos sob calor intenso. O sistema de áudio e entretenimento das versões 2009–2011 pode apresentar lentidão ou falhas ocasionais, enquanto os modelos posteriores à atualização de 2012 costumam ser mais estáveis. A visibilidade traseira é limitada pela linha alta das janelas e pelas colunas largas, tornando a câmera de ré, original ou instalada posteriormente, um equipamento bastante útil.

O que verificar antes da compra e quais problemas têm solução

Ao procurar um Kia Soul usado no mercado brasileiro, vale priorizar exemplares com manual, notas fiscais e histórico de revisões comprovado. A inspeção pré-compra deve incluir o catalisador, o sistema de injeção, a suspensão, os rolamentos, possíveis pontos de corrosão e o funcionamento do câmbio. Também é fundamental consultar a documentação, o histórico de sinistros, eventuais passagens por leilão, restrições financeiras e a coerência da quilometragem registrada. Um carro nacional com poucos proprietários e manutenção documentada costuma ser uma escolha mais segura do que uma unidade importada de forma independente ou reparada após uma colisão grave.

A maioria dos pontos mencionados não representa um defeito crítico e pode ser corrigida com gastos relativamente previsíveis. Tratamento anticorrosivo, troca de componentes da suspensão, limpeza do sistema de alimentação e manutenção preventiva do motor dependem diretamente do estado de cada veículo. Um pequeno consumo de óleo em unidades muito rodadas ou leves ruídos vindos dos plásticos podem ser normais em um automóvel dessa idade. Nem sempre exigem reparo imediato, mas ajudam a revelar o nível de cuidado oferecido pelos antigos proprietários.

De modo geral, o Kia Soul I (AM) continua sendo uma opção interessante no mercado de usados quando a compra é feita com cautela. As unidades posteriores à atualização, especialmente as dos anos 2012–2014, são mais recomendáveis por apresentarem melhorias em relação aos primeiros exemplares. O mais importante é não escolher apenas pelo preço ou pelo visual: uma avaliação mecânica completa e uma reserva para a manutenção inicial reduzem bastante o risco de despesas inesperadas. Quando bem conservado, o modelo ainda pode oferecer uso confiável, boa versatilidade e personalidade de sobra.