Ex-CEO da Stellantis prevê possível declínio da Tesla — Notícias automotivas globais | automotive24.center

Ex-CEO da Stellantis prevê tempos difíceis para a Tesla

O executivo português Carlos Tavares, que já comandou o grupo Stellantis, volta a estar em evidência.

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Após sua saída da Stellantis, ele não se afastou da vida pública. Pelo contrário, tem dado entrevistas com frequência e publicou um livro no qual analisa o futuro da indústria automotiva. Naturalmente, não deixou de lado o tema da Tesla e de seu excêntrico fundador, Elon Musk.

De estrela da Stellantis a crítico da Tesla

Quando Tavares estava no comando da Stellantis, conseguiu desagradar tanto os fãs de motores V8 a gasolina quanto os concessionários, incomodados com sua forte aposta na eletrificação. Por isso, quando foi demitido repentinamente em dezembro do ano passado, poucos lamentaram. No entanto, o ex-executivo não pretende descansar: agora ele compartilha com prazer suas "sabedorias" e previsões.

Em sua entrevista mais recente, ele declarou que a Tesla pode não chegar a 2035. “Não tenho certeza de que ela existirá daqui a dez anos”, disse. Na opinião dele, a empresa enfrenta duas grandes ameaças, sendo a primeira o crescente poder dos fabricantes chineses.

A China avança enquanto Musk se distrai

As marcas chinesas lançam carros elétricos mais rápido, mais baratos e, muitas vezes, com qualidade superior. Seu sucesso se baseia em cadeias de produção otimizadas e custos baixos, o que permite manter preços dezenas de por cento inferiores. Competir com isso está se tornando cada vez mais difícil até para a Tesla, especialmente quando os chineses iniciam guerras de preços tanto no mercado doméstico quanto no exterior.

A segunda ameaça, segundo Tavares, está no próprio Musk. Ele acredita que Elon pode simplesmente perder o interesse pelo negócio de automóveis e se voltar para robôs, espaço ou inteligência artificial. E, honestamente, isso soa bastante plausível — Musk já provou várias vezes que adora desafios, mas nem sempre conclui o que começa.

Tesla perde impulso

Nos últimos anos, a Tesla tem se parecido mais com uma empresa de tecnologia do que com uma montadora tradicional. Os novos modelos surgem com pouca frequência: já se passaram seis anos desde o lançamento do Model Y, e o Cybertruck não correspondeu às expectativas. Se o ritmo de inovação não acelerar, a vantagem da Tesla pode se dissipar completamente.

Os investidores também começam a ficar nervosos: grande parte do valor da empresa está ligado à figura de Musk. E se ele realmente se voltar para outros projetos, a confiança do mercado na Tesla pode cair tão rápido quanto suas ações em um dia ruim.

Em conclusão

É possível concordar ou discordar das palavras de Tavares, mas os fatos são claros: os chineses estão avançando, a concorrência está se intensificando e a Tesla já não parece invencível. Os preços dos veículos elétricos caem, as margens se comprimem e até gigantes como Musk são forçados a rever seus planos. Assim, é bem possível que, em dez anos, o cenário da indústria seja completamente diferente — e não é garantido que a Tesla esteja no topo.