
O Dacia Sandero de terceira geração foi apresentado oficialmente em setembro de 2020, com as vendas começando nos mercados europeus entre o fim daquele ano e o início de 2021. A geração, identificada internamente como BJ1, não chegou ao Brasil de forma oficial. Por aqui, a Renault manteve o Sandero da geração anterior até encerrar sua produção nacional em outubro de 2022, e as últimas unidades em estoque foram comercializadas em 2023.
O Sandero III utiliza a arquitetura modular CMF-B da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, compartilhada com modelos como Renault Clio e Captur. A plataforma foi desenvolvida para veículos compactos com motor transversal e tração dianteira e permitiu ao Sandero incorporar uma estrutura mais moderna, nova arquitetura eletrônica e sistemas adicionais de assistência à condução.
Na gama da Dacia, o Sandero ocupa a posição de hatch compacto de entrada, enquanto o Sandero Stepway adota uma proposta visual mais próxima de um crossover, com maior altura livre do solo e elementos específicos de acabamento. Entre as principais características da terceira geração estão o desenho mais elaborado, a assinatura luminosa característica da marca, a plataforma CMF-B, motores de três cilindros e, dependendo do mercado e do ano-modelo, versões a gasolina e bicombustível gasolina/GLP.
O que mudou em relação à geração anterior
O Dacia Sandero II, produzido entre 2012 e 2020 na Europa, tinha uma proposta essencialmente voltada à simplicidade e ao baixo custo. A terceira geração representou uma mudança importante de projeto, com proporções mais modernas, carroceria mais larga visualmente e uma posição de condução revista. O Sandero convencional mede aproximadamente 4,09 metros de comprimento, mantendo dimensões compactas para uso urbano.
A principal transformação técnica foi a adoção da plataforma CMF-B. No lançamento europeu, a gama incluía o 1.0 SCe aspirado de 65 cv, o 1.0 TCe turbo de 90 cv e o 1.0 Eco-G de aproximadamente 100 cv, capaz de operar com gasolina ou GLP. Dependendo da motorização e do mercado, eram oferecidos câmbios manuais de cinco ou seis marchas e, em determinados anos, transmissão automática do tipo CVT. O Sandero Stepway também recebeu versões mais potentes ao longo do ciclo de vida.
O interior também foi redesenhado e passou a utilizar uma arquitetura mais atual, com soluções de multimídia que variam conforme o nível de acabamento. A nova plataforma permitiu a adoção de seis airbags em diversas especificações europeias e de sistemas como frenagem autônoma de emergência e chamada automática de emergência. Nos testes realizados em 2021, o Dacia Sandero Stepway recebeu duas estrelas no Euro NCAP dentro do protocolo vigente naquele período, cuja avaliação dava maior peso aos sistemas ativos de assistência.
Situação atual da geração
Em setembro de 2026, a terceira geração continua fazendo parte da linha Dacia na Europa. Uma atualização ampla foi apresentada em outubro de 2025, trazendo nova assinatura luminosa, alterações em para-choques, rodas e acabamento, além de um sistema multimídia mais recente com tela de até 10 polegadas, painel de instrumentos digital em determinadas versões e novos sistemas de assistência à condução.
A gama europeia evoluiu durante o ciclo do modelo. O motor 1.0 TCe passou de 90 para 100 cv no Sandero, enquanto o Sandero Stepway continuou oferecendo o TCe 110 em determinados mercados. A família Eco-G também recebeu uma nova configuração 1.2 turbo de 120 cv, com opção de câmbio manual ou automatizado de dupla embreagem conforme o mercado. Para o Sandero Stepway, a Dacia anunciou ainda a chegada do conjunto Hybrid 155 para o quarto trimestre de 2026. O antigo SCe 65 continua disponível em alguns mercados como opção de entrada. Essas configurações pertencem à gama internacional da Dacia e não correspondem a uma oferta oficial no Brasil.

Situação do Dacia Sandero III no Brasil
O Dacia Sandero III nunca integrou oficialmente a linha brasileira da Renault ou da Dacia. O projeto chegou a ser estudado para a região e elementos do modelo foram registrados no Brasil, mas a Renault abandonou os planos de produzir a nova geração localmente. A estratégia da marca passou a priorizar outros segmentos e produtos baseados na plataforma CMF-B.
Por esse motivo, não existe uma tabela oficial de preços, versões ou equipamentos brasileiros para o Sandero III. Exemplares da terceira geração encontrados no país tendem a ser importações independentes ou unidades trazidas de forma particular, um universo pequeno demais para estabelecer uma faixa de preços representativa como ocorre com modelos vendidos oficialmente.
| Situação | Configuração | Oferta oficial | Referência de preço no Brasil |
| Sandero III 2021–2024 | SCe, TCe e Eco-G conforme o mercado europeu | Não | Sem tabela oficial |
| Sandero Stepway III | TCe e Eco-G conforme o país de origem | Não | Sem tabela oficial |
| Modelos importados de forma independente | Especificação depende do país de origem | Não | Preço varia caso a caso |
| Linha atualizada 2025–2026 | TCe 100, TCe 110 e novas versões Eco-G na Europa | Não | Sem preço oficial brasileiro |
Também é importante não confundir o Dacia Sandero III europeu com o Renault Sandero vendido durante anos no Brasil. O modelo brasileiro pertencia à geração anterior e utilizava motores, equipamentos e calibrações específicos para o mercado sul-americano. A produção nacional do Sandero foi encerrada em 2022, enquanto o Stepway derivado da mesma família permaneceu por mais algum tempo e teve sua produção encerrada posteriormente.
Versões e equipamentos encontrados no exterior
Como não houve lançamento oficial do Sandero III no Brasil, não existem versões brasileiras equivalentes a Essential, Expression, Journey ou Extreme. Essas denominações são utilizadas em diferentes mercados europeus e podem variar conforme o país e o ano-modelo.
Nas configurações europeias mais simples, o Sandero prioriza equipamentos essenciais e soluções de conectividade de baixo custo. Versões superiores podem acrescentar central multimídia com tela sensível ao toque, integração com smartphones, câmera de ré, sensores de estacionamento e outros itens de conforto, dependendo do mercado.
As versões mais equipadas receberam progressivamente recursos como painel digital, sistema multimídia de até 10 polegadas, carregamento de smartphone por indução e novos sistemas eletrônicos de assistência. A disponibilidade exata desses itens depende do país, do acabamento e do ano de fabricação.
O Sandero Stepway se diferencia principalmente pelo visual de inspiração crossover, maior altura em relação ao solo e elementos externos específicos. Em algumas configurações também utiliza barras de teto modulares. Apesar da aparência mais aventureira, mantém arquitetura de tração dianteira e não corresponde a um SUV com sistema de tração integral.

Conclusões e relevância da geração
O Dacia Sandero III representa uma evolução considerável em relação ao Sandero conhecido pelo público brasileiro. A plataforma CMF-B, a nova arquitetura eletrônica e a atualização dos motores aproximaram o modelo dos compactos europeus mais recentes, mantendo a proposta de custo controlado característica da Dacia.
Para o consumidor brasileiro, porém, sua situação é diferente da observada na Europa: não existe rede oficial Dacia oferecendo o Sandero III, nem tabela nacional de preços, versões ou peças específica para essa geração. Em uma eventual compra de um exemplar importado, fatores como documentação, homologação, disponibilidade de componentes, seguro e suporte técnico precisam ser avaliados individualmente.
Em um Dacia Sandero III usado trazido ao Brasil, é especialmente importante verificar:
- o país de origem e a especificação exata do veículo;
- o histórico de manutenção e a compatibilidade de peças com a rede local;
- a documentação e a regularidade do processo de importação;
- motor, transmissão e equipamentos, que variam conforme o mercado europeu de origem.
Em 2026, o Dacia Sandero III continua sendo uma geração atual no mercado europeu, mas permanece fora da gama oficial brasileira. Por isso, qualquer análise para o Brasil deve tratá-lo como um modelo de importação independente e não como sucessor direto do antigo Renault Sandero nacional.