
A segunda geração do Duster, identificada globalmente pelo código HM, foi apresentada pela Dacia no Salão de Frankfurt de 2017. No Brasil, porém, ela chegou somente em março de 2020, já com a marca Renault e produção em São José dos Pinhais (PR). Essa diferença de calendário é importante: a trajetória brasileira não acompanha exatamente a europeia, tanto na mecânica quanto nos equipamentos.
Ao contrário do que ocorreu posteriormente com a terceira geração europeia, o Duster II manteve uma evolução da arquitetura B0. No Brasil, o conjunto foi adaptado à produção local e permaneceu com tração dianteira nas versões desta geração. A gama brasileira também não recebeu os motores 1.0 TCe, 1.5 dCi ou versões 4x4 oferecidas em outros mercados.
Dentro da linha Renault brasileira, o Duster ocupa a faixa dos SUVs compactos com foco em espaço interno, porta-malas amplo e boa altura em relação ao solo. A segunda geração manteve a proposta robusta do modelo, mas trouxe cabine redesenhada, direção elétrica, novos recursos de conectividade e, ao longo dos anos, uma evolução importante nos equipamentos de segurança.
O que mudou em relação à geração anterior
A mudança visual foi ampla, apesar de a arquitetura básica ter sido mantida. A carroceria ganhou novas chapas, para-brisa mais inclinado, linha de cintura elevada e um desenho mais moderno, sem abandonar as proporções típicas do Duster. No Brasil, o modelo passou a medir cerca de 4,37 m de comprimento e manteve entre-eixos próximo de 2,67 m, com porta-malas de 475 litros nas especificações atuais.
No lançamento brasileiro de 2020, o principal conjunto mecânico era o motor flex 1.6 SCe de até 120 cv com etanol e 118 cv com gasolina, combinado a câmbio manual de cinco marchas ou transmissão X-Tronic CVT. Em 2022 chegou a opção 1.3 TCe turbo flex, inicialmente com até 170 cv e 27,5 kgfm, sempre associada ao CVT com oito marchas simuladas. Diferentemente de versões vendidas em países vizinhos e na Europa, o Duster II brasileiro não teve tração 4x4.
A evolução de segurança ocorreu de forma gradual. Os primeiros anos-modelo brasileiros tinham apenas dois airbags, enquanto a atualização apresentada para 2024 passou a oferecer seis airbags de série, além de mudanças nos faróis e lanternas com assinatura luminosa renovada. O resultado de três estrelas do Euro NCAP atribuído ao Dacia Duster europeu de 2017 pertence à configuração testada naquele mercado e não deve ser tratado como uma nota específica para o Renault Duster brasileiro.
Situação atual da geração
Ao contrário da Europa, onde o Dacia Duster de segunda geração foi substituído pela terceira geração, o Renault Duster II continua em oferta no Brasil no ano-modelo 2026. A linha atual reúne as versões Intense Plus 1.6 manual, Intense Plus 1.6 CVT, Iconic Plus 1.6 CVT e Iconic Plus 1.3 TCe CVT.
Os motores também mudaram ao longo do ciclo. Para atender à fase L8 do Proconve, o 1.3 TCe passou de 170 cv e 27,5 kgfm para 163 cv e 25,5 kgfm. O 1.6 SCe, que antes entregava até 120 cv, passou no ano-modelo 2026 a 112 cv com etanol e 109 cv com gasolina. Por isso, anúncios, fichas técnicas e avaliações de anos anteriores podem mostrar números diferentes sem que isso represente necessariamente um erro.
Para quem procura um usado, a escolha depende da prioridade. As versões 1.6 tendem a ter mecânica mais simples e maior oferta, enquanto o 1.3 TCe entrega desempenho superior. Já os exemplares 2024 em diante se destacam pelo pacote de segurança atualizado, com seis airbags de série. Em todos os casos, ano-modelo, histórico de manutenção e estado geral pesam mais do que o nome da versão isoladamente.

Mercado brasileiro
O Renault Duster II tem presença ampla no mercado de usados brasileiro, com oferta em plataformas como Webmotors e em lojas multimarcas. Como o modelo segue vendido como zero-km, convivem no mercado unidades usadas de 2020 em diante e veículos novos do ano-modelo atual.
Em setembro de 2026, referências de FIPE e anúncios nacionais mostram diferenças relevantes conforme versão, quilometragem, região e estado de conservação. Os intervalos abaixo são apenas uma orientação de mercado para exemplares usados e não representam preço oficial de tabela:
| Ano-modelo | Versão / motor | Faixa indicativa de usados | Observação |
| 2020–2021 | 1.6 SCe / Zen, Intense ou Iconic | aprox. R$ 67.000 – R$ 86.000 | Manual ou CVT, conforme a versão |
| 2022 | 1.6 SCe ou 1.3 TCe Iconic | aprox. R$ 75.000 – R$ 103.000 | O 1.3 turbo entrou na linha brasileira em 2022 |
| 2023 | 1.6 SCe / 1.3 TCe | aprox. R$ 75.000 – R$ 100.000 | Valores variam bastante entre versões |
| 2024 | Intense Plus / Iconic Plus, 1.6 ou 1.3 TCe | aprox. R$ 90.000 – R$ 118.000 | Atualização visual e seis airbags de série |
Entre os usados, o 1.6 SCe com CVT aparece com frequência e atende quem prioriza uma condução mais simples no uso urbano. O 1.3 TCe é mais indicado para quem valoriza retomadas e desempenho, enquanto os carros 2024 em diante agregam a evolução do pacote de segurança. Antes da compra, vale comparar o preço pedido com a FIPE e com anúncios equivalentes do mesmo ano-modelo e versão.
Principais versões e equipamentos no Brasil
No início da segunda geração brasileira, a linha foi estruturada em versões como Zen, Intense e Iconic. Em 2024, após a atualização visual e de equipamentos, a nomenclatura passou a destacar Intense Plus e Iconic Plus. A oferta exata varia conforme o ano-modelo.
Zen: foi a configuração de entrada nos primeiros anos da geração e podia ser encontrada com motor 1.6 SCe, câmbio manual ou CVT, dependendo do ano. Equipamentos opcionais e pacotes mudaram ao longo do ciclo, por isso unidades usadas podem ter diferenças importantes de conteúdo.
Intense e Intense Plus: ocupam a faixa intermediária. Nas versões atuais, a Intense Plus oferece motor 1.6 SCe com câmbio manual ou CVT, central multimídia de 8 polegadas, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro, ar-condicionado automático digital e seis airbags.
Iconic e Iconic Plus: concentram mais equipamentos. A configuração atual Iconic Plus acrescenta, entre outros itens, rodas de 17 polegadas, chave presencial, sistema de câmeras Multiview, alerta de ponto cego, sensor de chuva e carregador de celular por indução. Ela pode ser equipada com o 1.6 SCe CVT ou com o 1.3 TCe CVT.

Conclusões e relevância da geração
No Brasil, o Renault Duster II segue relevante porque combina amplo espaço interno, porta-malas de 475 litros, boa altura do solo e uma mecânica já conhecida no mercado nacional. Sua trajetória local é diferente da europeia: a segunda geração ainda permanece em linha no país, mesmo depois da estreia do Dacia Duster de terceira geração na Europa.
Entre os usados, o 1.6 SCe é a configuração mais difundida e pode ser encontrado com câmbio manual ou CVT. O 1.3 TCe, lançado no Brasil em 2022, oferece desempenho mais forte e sempre vem associado ao CVT. Para quem prioriza segurança, os modelos 2024 em diante têm a vantagem dos seis airbags de série e do pacote de equipamentos atualizado.
Não existe uma única versão ideal para todos os compradores: exemplares 1.6 podem fazer mais sentido para quem busca simplicidade e maior oferta, enquanto o 1.3 TCe atende melhor quem prioriza desempenho. O estado de conservação, o histórico de manutenção e a procedência continuam sendo fatores decisivos na compra de um Duster usado.
Antes de fechar negócio, é recomendável verificar:
- histórico de revisões e manutenção documentada;
- funcionamento da transmissão CVT e ausência de ruídos ou trancos anormais;
- estado da suspensão, pneus e componentes do conjunto inferior;
- histórico de sinistros e reparos de carroceria;
- funcionamento da central multimídia, câmeras, sensores e demais sistemas elétricos;
- nas versões 1.3 TCe, funcionamento regular do turbo e do sistema de injeção direta.
Para o mercado brasileiro em 2026, o Renault Duster de segunda geração continua sendo tanto uma opção de zero-km quanto uma presença consolidada entre os usados.